San Carlo alle Quattro Fontane

A pequena casa conventual que os frades Trinitários ergueram no cruzamento de Quattro Fontane, em Roma, foi desenhada pelo arquiteto Francesco Borromini (1599-1667).
Os trabalhos foram iniciados no verão de 1634, no corpo que fica perpendicular à via das Quattro Fontane que continha algumas dependências conventuais e um refeitório, localizado no piso térreo, junto à fachada voltada para jardim.
O pequeno claustro de dois pisos, construído entre 1635 e 1636, apresenta uma revolucionária dinâmica plástica introduzida pelos ângulos convexos das esquinas que definem uma forma octogonal irregular. Os remates das colunas do piso térreo alternam arcos com entablamentos retos, enquanto no piso superior um entablamento une todas as colunas.
Tendo ficado completada a ala conventual e o claustro em 1638, procede-se então à construção da Igreja e do corpo virado para a rua Delle Quattro Fontane que continha a sacristia e o coro.
A planta da igreja, com uma forma aproximadamente oval, teve como base um tradicional esquema cruciforme. De facto, a elipse (construída com base em dois triângulos equiláteros opostos) foi apertada nos extremos, num processo de distorção elástica que sugere uma cruz grega e que forma uma sequência alternada de superfícies côncavas e convexas que modelam as paredes e dilatam o espaço.
A nave é rodeada por quatro espaços curvos. Dois são semicirculares e definem o eixo maior do plano contendo, um deles, a entrada, e o outro a abside.
Dezasseis colunas, que respondem ao esquema canónico das ordens clássicas, articulam as paredes interiores e entre elas estruturam-se vários vãos retangulares e nichos que diluem a massa da alvenaria. Sobre as colunas, um forte entablamento unifica todas as unidades espaciais. Um conjunto de quatro arcos que ligam as colunas duas a duas suportam os pendentes sobre os quais se ergue o tambor da cúpula. Esta, retomando o desenho elíptico da nave, é decorada por uma complexa série de caixotões convergentes que lhe conferem carácter de membrana nervurada. No topo, um lanternim ilumina todo o espaço.
No final da sua vida, Borromini teve a oportunidade de concluir o edifício, do qual faltava executar a fachada da igreja e do convento sobre a Via del Quirinale. Este projeto apresentava como dificuldade fundamental a relação entre três elementos: a fonte de ângulo, no cruzamento das Quattro Fontane, o campanário e a frontaria da igreja.
Na fachada, o arquiteto retomou um tema recorrente na sua arquitetura, as ordens de diferente altura. O perfil curvo e fluido da parede divide-se em três partes, moduladas por colunas que constituem uma superestrutura organizada em dois pisos. Em cada registo, quatro grandes colunas de ordem compósita suportam a cornija e dão sentido ascensional à frontaria, entre estas, um sistema com colunas mais pequenas e entablamentos autónomos que emolduram as paredes. Óculos ovais recortam o plano curvo convexo dos dois tramos laterais. No plano central côncavo encontra-se a porta do templo, encimada por um nicho e uma estátua de S. Carlos Borromeo.
O segundo piso do alçado apresenta solução idêntica embora o tramo central seja convexo e contenha uma torre saliente com balaustrada. A cornija que remata a igreja é interrompida por um medalhão oval formando um frontão quebrado.
Com a morte do arquiteto a obra é suspensa e só mais tarde são completados os planos para o campanário e se constrói o segundo piso da fachada, cujos anjos, executados pelos escultores Antonio Fontana e Giovanni Dori, são colocados em 1576.
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