Santa Cruz da Graciosa

Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, Santa Cruz da Graciosa localiza-se na Região Autónoma dos Açores (RAA) (NUT II e NUT III), na ilha Graciosa, pertencente ao grupo central do arquipélago dos Açores. O concelho é rodeado pelo oceano Atlântico, tendo a sul o concelho de Calheta e a oeste o de Santa Cruz das Flores. Ocupa uma superfície de 60,9 km2, distribuída por quatro freguesias: Guadalupe; Luz; Santa Cruz da Graciosa e São Mateus.
Em 2005 o concelho apresentava 4708 habitantes.
O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras Grota da Ventosa e Grota da Lombada. O relevo é caracterizado por basaltos, andesitos, materiais de projeção e cones de escórias, sendo constituído por várias formações geológicas, nomeadamente: o ilhéu da Praia, o ilhéu de Baixo, a caldeira e a furna da caldeira (cratera vulcânica), a ponta do Enxudreiro, a ponta da Engrade, a ponta da Pesqueira, a serra das Fontes (361 m), a serra Dormida (398 m), o Barroso (122 m), o pico das Bichas (144 m), o Facho (375 m) e o pico da Brasileira (112 m).
História e Monumentos
Graciosa foi assim batizada pela beleza da sua paisagem, dominada pelo verde dos seus campos. Vasco Gil Sodré, natural de Montemor-o-Velho, foi o primeiro habitante da ilha, no século XV. Santa Cruz da Graciosa recebeu foral de vila em 1486.
A agricultura e o plantio da vinha são a base da economia da ilha, exportando esta já no século XVI cereais, vinho e aguardente, através do porto da vizinha Terceira. Não existem acontecimentos históricos a referir, sendo a natureza pacata do seu povo uma característica ainda atual.
O património arquitetónico existente no concelho é essencialmente de natureza religiosa, destacando-se a Igreja Matriz, de estilo henriquino e manuelino, dos séculos XV e XVIII. A igreja foi erguida no pico das Mentiras, possuindo três naves, um altar-mor e dispondo de dez capelas onde se podem ver elementos da primitiva igreja henriquina e, principalmente, do edifício manuelino. Além da igreja matriz, existem também a Igreja da Misericórdia, que data do início do século XVII, e a Igreja da Nossa Senhora dos Anjos, que possui três naves, tendo anexo o Convento de São Francisco.
No concelho existem várias capelas construídas entre o século XV e o século XVIII, nomeadamente a de São Pedro (século XV), a da Senhora da Ajuda (século XVI), a de São João (século XVI), a do Corpo Santo (século XVI), a do Bom Jesus (século XVII), a da Senhora da Vitória (século XVII), a de Santo António (século XVII), a de Santo Amaro (século XVIII), a de São Salvador (século XVIII) e a da Senhora das Dores (século XVIII).
Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam a proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Para além desta festa, que é celebrada praticamente em todas as ilhas, ocorrem em agosto as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
A nível de artesanato, destacam-se os bordados, a viola regional em madeira e a cerâmica em olaria, que inclui vasos, bules, chávenas e canecas, entre outros objetos.
Embora não haja referência a personalidades naturais da terra que se distinguissem, houve algumas que passaram pelo concelho, destacando-se o padre António Vieira, que viveu na ilha dois meses quando o barco em que seguia naufragou, em 1654; Almeida Garrett, que residiu na ilha algum tempo com um tio, quando tinha 15 anos, em 1814; o escritor francês Chateaubriand, que passou algum tempo na ilha aquando da sua fuga durante a Revolução Francesa para a América, e Alberto do Mónaco, um estudioso da vida marinha e da hidrografia, atraído pelo fenómeno das furnas de enxofre da Graciosa.
Ainda no aspeto cultural, de referir o Museu Etnográfico da Graciosa, onde está representada a vida na ilha. O espaço está dividido em quatro secções: a casa rural graciosence, os vestígios artísticos, as alfaias agrícolas e os objetos de viticultura.
Economia
Em Santa Cruz da Graciosa o setor primário, na área da agropecuária, constitui a principal atividade económica. Cerca de 57,4% da área do concelho é dedicada à atividade agrícola e o cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, a horta familiar, as culturas permanentes de vinha, as culturas temporárias de cereais para grão e as culturas hortícolas intensivas, os prados e as pastagens permanentes e os prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies de criação de gado, havendo também lugar para a criação de aves.
A região apresenta uma baixa densidade florestal, cerca de 15,2%, salientando-se como espécies mais abundantes os cedros, os zimbros, os loureiros, os ulmeiros e as araucárias.
Quanto ao setor secundário, é de realçar a existência de indústrias de produção de vinho e de laticínios e de fabrico de telha.
No setor terciário a área de atividade mais importante é o turismo.
As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar por toda a ilha consistem em banhos, natação, mergulho, pesca, caça e prática de desportos náuticos, tais como vela, windsurf e esqui aquático. Existe igualmente uma estância termal - as Termas de Carapacho - onde se fazem tratamentos com as águas geotérmicas da ilha, indicadas para reumatismo e doenças de pele.
Como referenciar: Porto Editora – Santa Cruz da Graciosa na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-12-06 11:15:31]. Disponível em