Santa Maria Madalena

É associada por alguns à pecadora anónima de Lucas e como sendo Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro, mas outros creem que são pessoas diferentes. Para este facto contribui o relato, no Evangelho de Lucas, de uma mulher pecadora que unge os pés de Cristo, que São João, no seu Evangelho, identifica como sendo Maria de Betânia, identificando esta com Maria Madalena numa outra passagem. No conjunto dos acontecimentos existe uma linha de coerência que aponta para uma sucessão de factos todos atribuíveis a Santa Maria Madalena. A "pecadora" pede perdão a Cristo e imediatamente é descrita depois como sendo Maria Madalena da qual foram expulsos sete diabos. Pouco depois é encontrada aos pés de Cristo, ouvindo as Suas palavras. Mais tarde, juntamente com Marta, intercede pela vida de Lázaro que Jesus ressuscita. Num jantar oferecido a Cristo, Maria Madalena unge-Lhe os pés, acompanha-O aos pés da cruz e ao Seu túmulo, sendo a primeira testemunha da Ressurreição, à exceção de Nossa Senhora.
A Igreja Grega defende que a santa acompanhou a Virgem Maria a Éfeso, onde morreu, e que as suas relíquias foram levadas para Constantinopla, em 886, onde ainda se encontram. Gregório de Tours, no seu De miraculis, concorda com o episódio da ida da santa para Éfeso. No entanto, existe uma tradição francesa, segundo a qual Santa Maria Madalena teria acompanhado Lázaro e alguns companheiros até Marselha, de onde converteu toda a atual Provença francesa, tendo-se retirado para o monte La Sainte-Baume, onde teve uma vida de penitência durante 30 anos. Quando morreu foi levada por anjos para Aix, recebeu o viático no oratório de São Maximino, tendo o seu corpo sido sepultado junto a Villa Lata, depois chamada de São Maximino. Em 745, segundo o cronista Sigeberto, as suas relíquias foram levadas para Vézelay com medo dos sarracenos. Quando, em 1279, Carlos II, rei de Nápoles, construiu um convento para os dominicanos em La Sainte-Baume, encontrou o túmulo intacto com uma inscrição da razão pela qual as relíquias tinham sido escondidas. Em 1600, as relíquias foram colocadas num sarcófago oferecido por Clemente VIII, tendo a cabeça sido guardada num recipiente à parte. Com o restauro da igreja de La Sainte-Baume, no século XIX, a cabeça da santa voltou ao seu lugar original e é o centro de muitas peregrinações.
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