Santo Estêvão

Nos Atos dos Apóstolos, o nome de Santo Estêvão aparece pela primeira vez na ocasião da nomeação dos primeiros diáconos escolhidos pelos Apóstolos para proporcionarem o conforto material aos membros mais pobres da Igreja. Dos sete diáconos escolhidos, Santo Estêvão é o primeiro mencionado e o mais conhecido. Da sua vida anterior nada se sabe, mas o seu nome sugere que seria um helenista, ou seja um judeu nascido na Diáspora cuja língua nativa seria o grego. Pensa-se que Santo Estêvão era judeu por nascimento e não um prosélito. Foi discípulo de Gamaliel mas não se sabe em que circunstâncias terá sido batizado, não merecendo crédito a afirmação de Santo Epifânio de que Santo Estêvão terá feito parte dos Setenta Discípulos.
O seu serviço como diácono parece ter sido dedicado sobretudo aos judeus helenistas convertidos, com quem os Apóstolos não tinham um grande contacto. Segundo os Atos, Santo Estêvão tinha uma grande vocação para o serviço da comunidade, publicamente reconhecido como sendo um homem de boa reputação, tendo em si o Espírito Santo, pleno de fé, graça, força e sabedoria. Dotado de raros poderes de oratória e de uma lógica irrepreensível a que ninguém resistia, não conseguiu, no entanto, evitar o ataque dos seus inimigos, judeus libertinos, de Cirene ou Alexandria, que o desafiaram para uma discussão. Aos serem completamente vencidos por Santo Estêvão, a sua raiva levou-os a subornarem falsas testemunhas para testemunharem que o tinham ouvido blafesmar contra Moisés e Deus. A ira dos anciãos e dos escribas judeus, já incendiada pela pregação dos Apóstolos, fez com que fosse preso com violência e arrastado perante o Sinédrio para ser julgado pela acusação de ter dito que Jesus destruiria o templo e mudaria as tradições que Moisés tinha deixado. Imperturbável, Santo Estêvão respondeu com um discurso não muito agradável para os judeus, enumerando as muitas graças que Deus tinha concedido a Israel, durante a sua longa história, e a ingratidão com que Israel as tinha pago, nomeadamente com a traição e a morte do Justo, cuja vinda os profetas tinham anunciado. Esta alusão à morte de Cristo, juntamente com as palavras de Santo Estêvão sobre a visão que estava a ter de Jesus Cristo sentado à direita de Deus, enfureceu a multidão que o expulsou da cidade e o apedrejou até à morte. Antes de morrer, Santo Estêvão pediu que a sua morte não fosse um pecado que pesasse na alma dos seus assassinos e que Deus recebesse o seu espírito. Entre as testemunhas da morte do santo, conta-se Saulo, o futuro apóstolo São Paulo. Sabe-se que homens devotos se encarregaram do funeral de Santo Estêvão, tendo a localização do seu túmulo sido perdida durante muitos séculos até que, em 415, um presbítero chamado Luciano recebeu a revelação de que o corpo do santo estava em Caphar Gamala, ao Norte de Jerusalém. As relíquias foram então desenterradas e levadas para a igreja do Monte Sião, tendo sido transferidas, em 460, para a basílica construída por Eudócia, junto à porta de Damasco, onde a tradição diz que a morte do santo ocorreu. Já no século XX, foi identificado o lugar onde terá existido a basílica de Eudócia, sobre o qual foi construído um novo edifício pelos frades dominicanos.
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