Santo Graal

O Santo Graal é o vaso ou cálice que Jesus Cristo usou para celebrar a Última Ceia com os Apóstolos. A tradição diz que São Pedro levou o cálice para Roma sendo conservado pelos seus sucessores até Sixto II. Nesta altura, no século III, o imperador Valeriano efetuava perseguições aos cristãos e São Lourenço de Huesca pediu ao Papa que o deixasse levar o Santo Graal para livrar a sua terra em Espanha das perseguições. Foi escondido na região dos Pirenéus durante a invasão muçulmana, tendo depois ido sucessivamente para o Mosteiro de San Juan de la Peña em Huesca, para os palácios dos reis de Aragão até que finalmente, em 1437, o rei Afonso V entregou a taça em ágata cornalina do século I à Catedral de Valência.
Pensa-se que a lenda do Santo Graal foi criada e propagada por escritores medievais, não provindo, portanto, de tradição oral. Uma das referências mais antigas que se conhecem é o poema de Chrétien de Troyes, datado de cerca de 1181.
Neste poema é relatada uma procissão, encabeçada por um pajem que empunha uma lança a sangrar e em que o Santo Graal é levado por uma donzela. Parsifal, apesar de estar ansioso por perguntar o significado do vaso não concretizou a pergunta, seguindo o conselho de Gornemant, um sábio. Ao não ter posto a pergunta condenou o "rei-pescador" ferido, guardião do Graal, a não se curar e consequentemente a não poder proteger eficazmente o Santo Vaso. No século XII Robert de Boron escreveu um poema intitulado Joseph d'Arimathie (em port. José de Arimateia) ou Histoire du Graal. Segundo a narrativa deste poema, José de Arimateia teria recolhido algumas gotas do sangue de Jesus no Graal e os cunhados de José, Alain e o seu pai Bron teriam levado o cálice para Inglaterra na sua missão de evangelização.
No século XIII, entre 1220 e 1225, deu-se a substituição de Parsifal, o cavaleiro aventureiro que buscava o Graal, por Galahad (Galaad ou Galaaz), filho nascido de relações extra-matrimoniais de Lancelote. Sir Galahad apareceu com a intenção de salvar o reino de Artur do pecado da luxúria. Ele, pela sua pureza, era o único que podia ver o Graal e adaptar ao ser humano o mágico halo que emanava do cálice. Não acedia pelos sentidos ao Santo Graal, como anteriormente o faziam Parsifal e Bonhort, mas pelos sonhos, que se refletem nos três estados místicos descritos por São Bernardo de Clairvaux.
Não é dada muita importância à Demanda ou quête do Graal no Ciclo Arturiano, mas sim no Roman du Graal, de 1235, no qual o reino de Artur se deparava sempre com o cálice que representa a censura aos costumes libertinos da corte e dos súbditos.
Wolfram von Eschenbach cria por esta altura, inspirado em Chrétien de Troyes, o Parsifal, que possui as mesmas características que Galahad sendo no entanto o Graal representado por uma pedra encantada. Foi nesta última versão que Richard Wagner se inspirou para a sua ópera Parsifal.O Roman du Graal, adaptado por Thomas Malory, teve a sua última publicação em 1485 por William Caxton; este facto explica a maior divulgação da lenda que tem Parsifal como protagonista.
De qualquer modo, foram inúmeras as adaptações efetuadas ao logo dos tempos deste tema essencialmente simbólico de moral ou da graça divina.
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