Santo Onofre

Segundo uma lenda cujos episódios são copiados das lendas de São Paulo Eremita e de Santa Maria Egípcia, Santo Onofre era filho de um rei da Pérsia ou da Abissínia que dando ouvido aos conselhos pérfidos do diabo, disfarçado de peregrino, acreditou que o filho que a rainha estava a ponto de dar à luz não era seu e que era fácil de provar a bastardia expondo a criança ao fogo. Milagrosamente poupada pelas chamas para onde tinha sido atirada, a criança foi aceite como filho legítimo e recebeu o nome de Onofre por indicação de um anjo. Educado num convento egípcio, o jovem Onofre foi aleitado por uma cerva branca durante três anos. Mais tarde, crendo inocentemente que a imagem do Menino Jesus não tinha nada para comer ofereceu-lhe um pão, recebendo em troca um pão tão pesado que foram necessários vários monges para o transportar. Santo Onofre deixou o convento para se fazer eremita e, guiado por uma coluna de fogo, chegou a uma gruta onde existia uma nascente de água à sombra de uma palmeira. Viveu durante sessenta anos retirado do mundo, alimentado pelos frutos da palmeira e pelo pão que lhe é trazido por um anjo que todos os domingos lhe vem dar a comunhão. Nu, coberto de pelos, com uma grande barba e com uma tanga de folhas é tomado por um animal feroz por um outro eremita que foge atemorizado, mas que é acalmado por Santo Onofre que lhe conta a sua vida. Quando morre, Santo Onofre recebe as honras fúnebres de um coro de anjos e a sua alma sobe ao céu em forma de pomba branca. Foi venerado pelos Hieronimitas que lhe construíram um mosteiro em Roma, na colina do Janículo. As suas relíquias foram tidas como estando na cidade de Munique. É o patrono dos tecelões e dos tintureiros de Florença pelo facto de ter tecido a sua tanga de folhas de palmeira.
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