São Barnabé

Originalmente conhecido por José, Barnabé era filho de judeus, tendo nascido na ilha de Chipre, no princípio da era Cristã. Passou muito tempo em Jerusalém, onde se radicou com a família, provavelmente até antes da Crucificação de Cristo. Uma tradição tardia relembrada por Clemente da Alexandria e Eusébio sugere que São Barnabé seria um dos Setenta discípulos, mas os Atos sugerem que se teria convertido ao Cristianismo pouco depois do Pentecostes (29 ou 30 d. C.), vendendo os seus bens e dedicando a sua vida a Cristo. São Barnabé foi quem apresentou Saulo, depois Paulo, aos Apóstolos (Act IX, 27) e foi com ele encarregue de pregar em Antioquia, na Síria, para onde levaram Marcos, o futuro Evangelista. Depois de consolidada, a Igreja de Antioquia sentiu-se inspirada pelo Espírito Santo a enviar como missionários Barnabé e Paulo para evangelizar os não crentes. Partiram, juntamente com Marcos, para Chipre, a terra natal de Barnabé, que foi a primeira terra a ser evangelizada, passando depois a toda a Ásia Menor, onde em alguns locais terão sido violentamente perseguidos pelos judeus.
Um dos episódios mais marcantes desta jornada foi em Lystra, onde os Apóstolos, tendo curado um homem, foram tomados por Mercúrio e Júpiter e a custo impediram que um boi lhes fosse sacrificado. A multidão, instigada pelos judeus, atacou-os posteriormente, tendo Paulo sido gravemente ferido. Apesar das perseguições, Barnabé e Paulo converteram muitos gentios, fundando igrejas e ordenando sacerdotes, antes de voltarem para Antioquia, na Síria. Nesta cidade, o seu trabalho de evangelização foi ameaçado por pregadores vindos de Jerusalém que diziam que a circuncisão era necessária para a salvação divina, mesmo para os gentios. Dando-se conta de que esta doutrina seria prejudicial ao seu trabalho, Barnabé e Paulo dirigiram-se a Jerusalém para a combater. Reuniram-se então com os Apóstolos mais velhos no Concílio de Jerusalém (47-51 d. C.), a decisão foi-lhes favorável, para além de terem recebido uma recomendação para o seu trabalho. Após o seu retorno a Antioquia, São Paulo e São Barnabé decidiram visitar as missões que tinham evangelizado. Como São Barnabé pretendia levar Marcos consigo e perante a recusa em aceitar a companhia deste último por São Paulo pela sua deserção na viagem anterior, os Apóstolos resolveram separar-se. São Barnabé foi com Marcos para Chipre e São Paulo levou Silas consigo para a Ásia Menor.
Pouco se conhece do percurso posterior de São Barnabé, sabendo-se no entanto que por volta de 57 ainda vivia como apóstolo quando São Paulo escreveu a 1.ª Carta aos Coríntios (XI, 6). Sabe-se que a amizade entre os dois apóstolos não foi, porém, abalada. Quando, em 61-63, São Paulo ficou prisioneiro em Roma, tinha a seu lado Marcos o que é para muitos um sinal de que São Barnabé já teria morrido nessa altura. Muitas tradições tardias e pouco verosímeis apresentam São Barnabé como mártir de Chipre, primeiro Bispo de Milão, pregador em Alexandria e em Roma, onde nesta última teria supostamente convertido São Clemente, quarto Bispo de Roma. À exceção dos Doze Apóstolos e de São Paulo, São Barnabé é tido como o mais estimado missionário da primeira geração cristã. Saindo da sua habitual reserva, São Lucas refere-se-lhe com estima e a sua fama e áurea de santidade advêm do facto de ser um grande pregador, de ter um excelente coração e de não ter preconceitos relativamente aos judeus, para além de ter tido a perceção do valor que São Paulo teria para a Igreja Cristã, quando defendeu e apoiou a veracidade da sua conversão. São Barnabé morreu como mártir, talvez na Grécia, por lapidação.
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