São Vicente (Madeira)

Aspetos Geográficos
O concelho de São Vicente ocupa uma área de 80,8 km2, localiza-se na Região Autónoma da Madeira (RAM) (NUT II e NUT III) e abrange três freguesias: Boa Ventura, Ponta Delgada e S. Vicente.
O concelho apresentava, em 2001, um total de 6051 habitantes.
São Vicente é limitado a oeste pelos concelhos de Porto Moniz e de Calheta, a sudoeste por Ponta do Sol, a sul por Ribeira Brava e Câmara de Lobos, a este por Santana e a norte pelo oceano Atlântico.
Possui um clima de influência marítima, com verões amenos, com uma temperatura média que ronda os 24 ºC, e invernos também amenos, com temperaturas geralmente por volta dos 17 ºC.
A sua morfologia é bastante acidentada, destacando-se elevações, como Lambada das Vacas (869 m), Bico da Cara (1620 m), Paul da Serra (1445 m), Pico do Cedro (1026 m), Rocha Negra (1299 m), Estreitinho (1094 m) e Casado (1725 m). Na freguesia do Seixal existem formas vulcânicas junto ao mar que dão acesso ao interior, até ao Fanal, com 1231 metros de altitude, que corresponde a uma cratera, por vezes transformada em lago, ao montado dos Pessegueiros e ao Paul da Serra, com 1500 metros de altitude.
Como recursos hídricos, possui a ribeira de São Vicente e a ribeira Grande.
História e Monumentos
As terras deste concelho foram descobertas no século XV, mas seriam colonizadas mais tarde do que as terras do Sul da ilha da Madeira por não possuírem terrenos férteis. Só mais tarde, com o fabrico do açúcar, é que a colonização da ilha se foi estendendo de sul para norte.
A denominação de São Vicente, tal como a da ribeira e a do orago honrado na igreja paroquial, deve-se ao facto, segundo a lenda, de este santo ter aparecido na cova de um rochedo, à foz da ribeira, de modo que lhe edificaram uma capelinha, sendo um santo de grande devoção.
A freguesia de S. Vicente foi instituída em meados do século XV e foi elevada a vila em agosto de 1744.
No século XVIII a freguesia deste concelho - Ponta Delgada - já era estância de turismo durante o verão de famílias nobres que se deslocavam da cidade.
Ao nível do património arquitetónico, salientam-se a igreja paroquial, datada do século XVII, que possui as capelas de Nossa Senhora do Livramento, de 1685, de Nossa Senhora da Piedade, de 1784, e de Nossa Senhora do Rosário; a Casa do Ladrilho, um exemplar da arquitetura popular do século XVIII; o Solar do Aposento, também do século XVIII, de arquitetura privada, mas que se destaca pela sobriedade e simplicidade das suas linhas, e a Capela de São Vicente, edificada pelo povo da vila no ano de 1622, sobre uma rocha, junto à foz da ribeira que atravessa S. Vicente.
Tradições, Lendas e Curiosidades
Das manifestações populares e culturais são de destacar a festa do Senhor Bom Jesus, na última semana de agosto e que é a devoção mais antiga, tendo surgido na ilha em 1466 com Manuel Afonso Sanha, um colono oriundo de Braga, e a festa de Nossa Senhora do Rosário, no primeiro domingo de outubro.
No artesanato, referem-se os trabalhos de vime, os bordados, os trabalhos decorativos com miolo de pão, os artefactos em madeira, o calçado feito manualmente, a tanoaria, a tapeçaria de retalhos, as rendas, as ferragens, os artigos decorativos em pano, os bonecos de presépio com âmago de figueira e de milho, a latoaria e as artes plásticas.
Como figuras ilustres, salientam-se Horácio Bento de Gouveia (1901-1983), escritor ilhéu bastante popular de cuja obra se destacam: Aspetos histórico-geográficos da Ilha de Madeira, Lisboa, 1932; Páginas de Jornalismo, 1933; Canhenhos da Ilha, Funchal, 1966; Torna-viagem - o Romance do Emigrante, Funchal, 1979; Margareta - Romance da Cidade e do Mundo, Funchal, 1980; e Luísa Marta - Ficção e Memória, publicado, postumamente, em 1986.
Como espaço cultural, destaca-se, em sua homenagem, a Casa-Museu Horácio Bento de Gouveia, em Ponta Delgada.
Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, nas áreas do pequeno comércio e dos serviços de hotelaria, logo seguidas pelas do setor secundário, com as indústrias de mobiliário, artefactos, cimento, panificação e extração de inertes e areias.
No setor primário, predomina o cultivo de leguminosas para grão, batata, horta familiar, frutos frescos, nomeadamente citrinos, e vinha. A pecuária assume também alguma importância, nomeadamente na criação de aves, suínos e caprinos. Cerca de 68% (93 ha) - do seu território é coberto por floresta.
Como referenciar: Porto Editora – São Vicente (Madeira) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-12-06 23:43:42]. Disponível em