Satyajit Ray

Cineasta indiano, Satyajit Ray nasceu a 2 de maio de 1921, em Calcutá. Filho de Sukumar Ray (um eminente poeta e escritor e um dos maiores vultos da literatura bengali), licenciou-se em Ciências Económicas pela Universidade de Calcutá, em 1940. Empregou-se então numa agência publicitária onde trabalhou como ilustrador. Aí apaixonou-se por um livro de Bibhuti Bandopaphaya e decidiu passá-lo à tela: Pather Panchali (1955) demorou apenas três semanas a ser rodado, com atores amadores e com Ray e o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque a assegurarem os custos. O filme centra-se na observação da vida de uma família indiana pobre e do seu filho mais novo, Apu. A beleza visual do filme, aliada à simplicidade que Ray emprestou à história, causou furor no Festival de Cannes e abriu as portas do cinema indiano à divulgação internacional. O êxito do título levou à rodagem de uma continuação: Aparajito (1956), onde a morte visita a família de Apu, obrigando-o a abandonar a mãe e a sua humilde aldeia e partir para Calcutá, onde prossegue os estudos. A chamada "Trilogia de Apu" conclui-se com Apur Sansar (1959), onde Apu já aparece como um adulto e pai de família. Já um realizador credenciado mundialmente, Ray experimentou a comédia em Teen Kanya (1960), em que articula duas histórias: a de uma jovem empregada que estabelece uma devoção doentia ao seu patrão e a de uma noiva que é forçada a casar-se com um homem que não conhece mas que, apesar das suas reticências iniciais, acaba por se apaixonar por ele. Abordou em seguida as dualidades culturais da tradição e o desabrochar espiritual em Kanchenjungha (1962) e Manangar (1963). O seu maior êxito interno foi Goopy Gyne Bagha Byne (1968), um filme infantil de aventuras baseado num conto elaborado pelo seu avô. Na década de 70, Ray abandonou um tipo de cinema de cariz naturalista e folclórico para abordar temas ligados à sociedade hindu contemporânea, dotando-as de uma visão incisiva e irónica. Tal ficou bem patente em Seemabaddha (1971) e em Ashani Sanket (1973) onde traçou o retrato duma aldeia indiana dos anos 40 devastada pela fome e pela miséria. Por outro lado, em Shatranj Ke Khiladi (1978) salientou os valores antagónicos entre as culturas britânica e hindu. No início da década de 80, trabalhou bastante para a televisão e durante as rodagens de Ghare-Baire (1984) sofreu dois enfartes do miocárdio. Apesar de limitado fisicamente, não deixou de trabalhar: dos seus trabalhos subsequentes, salienta-se Shaka Proshaka (1990), uma parábola social sobre um pai de família para quem a honestidade está acima de tudo e da sua relação com os seus quatro filhos que vivem para o luxo. Em 1992, já debilitado, recebeu um Óscar Honorário pelo seu contributo cinematográfico. Faleceria um mês depois, a 23 de abril de 1992, em Calcutá.
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