Savonarola

Girolamo Savonarola nasceu a 21 de setembro de 1452, em Ferrara, e morreu a 23 de março de 1498, em Florença. Este reformador dominicano nasceu no seio de uma família nobre e tradicional, sendo muito devotado aos estudos e dotado intelectualmente. Em 1474, durante uma viagem a Faenza, ouviu um poderoso sermão de Penitência de um Agostino e decidiu renunciar ao mundo. Levou a sua decisão em diante juntando-se à Ordem Dominicana de Bolonha, sem conhecimento dos pais. Sentindo e pressentindo a disseminação da devassidão da era renascentista, o jovem dominicano devotou-se com grande zelo à oração e a práticas ascéticas. Foi então que iniciou os seus tratados filosóficos baseados em São Tomás de Aquino. Em 1481 ou 1482, foi enviado pelo seu superior para Florença, onde deveria pregar. Neste centro do Renascimento, opôs-se imediatamente, com grande energia, à vida pagã e imoral, que predominava em diversas classes sociais, especialmente na corte de Lorenzo de Médicis. Mas os sermões de Savonarola não surtiram qualquer efeito, pois o seu método e linguagem eram repulsivos para os florentinos. No entanto, o seu zelo reformista não foi desencorajado e Savonarola partiu, pregando em diversas cidades por toda a Itália. Em 1489, regressou a Florença e, em agosto de 1490, iniciou os seus sermões no púlpito de S. Marco, com uma interpretação do Livro do Apocalipse. O seu sucesso foi completo e toda a Florença acorria à Catedral para ouvir os seus sermões, que progressivamente exerciam mais influência na população. Em 1491 tornou-se prior do Mosteiro de S. Marco e era venerado pelos seus seguidores como um profeta. Atacou publicamente e amargamente Lorenzo de Médicis, enquanto promotor da arte pagã, da vida imoral, e tirano de Florença. A partir de 1493, Savonarola começou a pregar, intensamente e com uma violência crescente, contra os abusos da vida eclesiástica, a imoralidade de uma grande parte do clero e, acima de tudo, contra a vida imoral de muitos elementos da Cúria Romana, incluindo do Papa Alexandre VI. Aos poucos, a denúncia relativa aos Médicis surtiu efeito e Pietro, odiado pela sua tirania e vida imoral, foi, juntamente com toda a sua família, expulso de Florença. Foi então estabelecida, na referida cidade, uma democracia do tipo teocrática, baseada nas doutrinas políticas e sociais que o monge dominicano havia proclamado. Cristo era, por isso, considerado o Rei de Florença e protetor das suas liberdades. Savonarola pretendia que Florença fosse o ponto de partida da regeneração de toda a Itália e da Igreja, contando, para tal, com a intervenção e apoio de Carlos VII de França. Durante os seus sermões, Savonarola demonstrava não só o seu génio extraordinário, mas também a extravagância das suas teorias ascéticas, pretendendo que a república de Florença fosse um modelo para toda a Cristandade. Estes diversos esforços e iniciativas colocaram Savonarola em conflito com Alexandre VI. O Papa, tal como grande parte das cidades italianas, opunha-se à política francesa. A 25 de julho de 1495, uma deliberação papal ordenava que Savonarola se apresentasse em Roma e se defendesse das acusações que lhe eram dirigidas, mas ele não compareceu, alegando motivos de saúde. Também por ordem papal foi proibido, a 8 de setembro, de pregar e o Mosteiro de S. Marco foi restituído à Congregação Lombarda. Mas Savonarola novamente desobedeceu à autoridade papal, encorajado pelos seus seguidores, e retomou os seus sermões a 17 de fevereiro. Em 1497 pregou fortemente contra a Igreja Romana, posição que lhe valeu, a 12 de maio do mesmo, a excomunhão. Apesar de excomungado, celebrou a eucaristia do dia de Natal e administrou a Santa Comunhão. No entanto, a oposição florentina contra Savonarola crescia aos poucos, com a ajuda e apoio da Ordem Franciscana. Em 1498 o Mosteiro de S. Marco foi atacado e Savonarola, e alguns dos seus irmãos dominicanos, como Domenico Pescia, foram feitos prisioneiros. Os delegados papais foram enviados para Florença para presidir ao julgamento. Os monges capturados foram torturados e os apoiantes de Savonarola fugiram da cidade. Acusado de heresia, a 22 de maio de 1496, o monge dominicano e dois dos seus irmãos foram condenados à morte. Foram enforcados a 25 de maio e os seus corpos foram queimados. Inicialmente, Savonarola havia sido um monge piedoso, que se auto-sacrificaria pela regeneração da vida religiosa, mas o seu fanatismo levou-o a um caminho sem volta, que acabaria em martírio.
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