Sé Catedral de Faro

A fundação da atual Catedral de Faro remonta ao século XIII, embora nesta época ainda não tivesse sido elevada à condição de Sé episcopal, servindo apenas como igreja consagrada a Santa Maria. Segundo alguns autores, as suas obras teriam conhecido o seu final em 1271, apesar de outros defenderem que estas não ficaram concluídas antes de 1325. Seja como for, esta igreja de Faro receberia outras obras de beneficiação e ampliação até ao século XV, afirmando a sua importância na comunidade eclesial do Algarve.
Várias e devastadoras catástrofes abateram-se sobre este importante templo da cidade de Faro, provocando profundas alterações estruturais e estilísticas. Como testemunhos da sua medieva arte gótica quatrocentista, subsitem duas capelas no corpo da igreja e a imponente torre da frontaria. Com efeito, o fogo posto pelos piratas ingleses em 1596 e os terramotos de 1722 e 1755 cumpririam escrupulosamente a sua missão destrutiva.
Beneficiando da depauperação da antiga diocese de Silves, a matriz de Santa Maria de Faro foi elevada à condição de Sé Catedral em 1577.
Acede-se à catedral por escadaria tripartida. A fachada principal é dominada pela impressiva torre central quatrocentista, recortada por três portais ogivais que conduzem a um pórtico coberto. Sobre os portais abrem-se as três sóbrias janelas retangulares do coro e que foram acrescentadas posteriormente. O beiral é ornamentado por corrida cachorrada, integrando-se no topo noroeste da torre um campanário tripartido.
Lateralmente, diversas capelas e outras dependências integraram, ao longo dos anos, a volumetria exterior da catedral, conferindo-lhe movimento ao mesmo tempo que perturbam a unidade do conjunto.
Interiormente, o templo é proporcionado e apresenta o corpo dividido em três naves de quatro tramos. Um silhar de azulejos barrocos setecentistas corre ao longo das paredes laterais.
A ampla e majestosa capela-mor, coberta por abóbada de berço em caixotões, foi concluída em 1640, estando implantadas no seu pavimento as sepulturas de nove bispos titulares desta diocese algarvia. Azulejos policromos, datados de 1664, cobrem os flancos das paredes. Ao centro impõe-se o magnífico retábulo maneirista, abrigando nos seus três nichos imagens santificadas do século XVI. O remate da estrutura retabular é obra posterior, datada de 1752.
Outras obras de arte são de realçar no interior da catedral. É o caso da Capela Gótica, que conserva uma janela de dois lumes, abóbada de nervuras, a imagem quatrocentista de Nossa Senhora da Conceição, estando ainda forrada com azulejos do século XVIII. A Capela de Nossa Senhora do Rosário apresenta uma beleza contrastante entre o magnífico trabalho de talha dourada barroca e os azulejos dos finais do século XVII, da autoria de Gabriel del Barco. A surpreendente e escavada estrutura de talha dourada que enforma a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres é realçada pelo excelente trabalho de embutidos policromos em mármore.
O Coro alto ostenta ainda o soberbo órgão barroco, obra do período joanino e que está datada de 1715-16. Posteriormente, em 1751, a sua caixa foi enriquecida com pinturas de charão vermelho com motivos de chinoiserie.
Concluída em 1639, a Sacristia possui um belo arcaz em que se guardam bons paramentos e preciosas alfaias de culto, cobrindo as paredes notáveis pinturas quinhentistas que se reportam à figuração dos Apóstolos e a episódios da vida de Cristo.
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