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Sé Catedral de Viana do Castelo
A recente diocese de Viana do Castelo foi instituída por bula do papa Paulo VI, datada de 3 de novembro de 1977, tendo sido então erigida em sé catedral a antiga Matriz de Santa Maria Maior, que primitivamente tivera a invocação do Divino Salvador, ainda patente na decoração do seu portal.
A sua fundação remonta aos primeiros anos do século XV, pois em 1420 procedia-se à cobrança de impostos para auxiliar a sua construção e quinze anos mais tarde era solicitado o patrocínio de D. Afonso V para a conclusão das obras. A igreja encontrava-se pronta para o culto pelo ano de 1455, sendo elevada a colegiada em 1483, por iniciativa do bispo de Ceuta D. Justo Balduíno. Dois violentos incêndios, ocorridos em 1656 e 1809, originaram graves destruições da sua decoraçâo interior, tendo o último levado ao abandono da própria igreja, que só reassumiria as suas funções paroquiais em 1835.
Conserva no seu exterior a aparência de igreja fortificada tão cara ao gótico tardio do Norte de Portugal, ainda muito apegado a modelos românicos fortemente enraizados. Dentro, o destaque vai para a preciosa ornamentação e para o notável conjunto de sepulturas armoriadas, algumas com jacentes, que fazem dela o principal panteão da nobreza vianense.
Na fachada, duas imponentes torres quadrangulares ligeiramente salientes, com coroamento de merlões assente em cachorrada de motivos antropomórficos, enquadram o corpo central dividido em dois andares: no superior, terminado em empena, sobressai a belíssima rosácea de moldura rendilhada, enquanto que, no piso térreo, se destaca o magnífico portal ogival que ocupa a quase totalidade da superfície disponível. Este é composto por quatro arquivoltas, três das quais decoradas - a exterior com uma representação do Juízo Final de inspiração românica, com a figura do Salvador no fecho e anjos músicos nos lados, e as outras duas com motivos fitomórficos -, sendo os colunelos de suporte constituídos por seis esculturas representando os Apóstolos mais ligados às devoções da vila e da sua região, caracterizadas por uma acentuada rigidez e assentes em plintos que foram remodelados em meados do século XVI.
O interior do templo é de planta cruciforme, sendo o corpo formado por três naves separadas por cinco tramos de arcos ogivais assentes em robustos pilares. No braço do transepto do lado da Epístola situa-se a Capela do Espírito Santo, pertencente à Confraria dos Clérigos, e no do lado do Evangelho fica a esplêndida Capela do Senhor Jesus dos Mareantes, que possui no seu exterior uma bela lápide decorada com símbolos astronómicos e datada de 1404, presumivelmente originária de uma anterior capela erigida pelos homens do mar. Pertence à Confraria dos Mareantes e acolhe no seu interior um notável espólio artístico, salientando-se a imagem do Senhor Morto adquirida em Inglaterra no ano de 1593 por João Velho, os ricos paramentos milaneses oferecidos em 1620 por Gaspar Caminha Rego, o cálice quinhentista de prata dourada e o modelo de galeão trazido de Hamburgo em cumprimento da promessa de um confrade.
Merece igualmente destaque a Capela do Santíssimo Sacramento - com o excelente painel quinhentista de influência flamenga representando o batismo de Cristo -, a dos Melos Alvins - de feição manuelina -, a dos Fagundes ou do Santo Cristo - que possui o túmulo com estátua jacente de Cosme de Sousa -, a de São Bernardo ou do Senhor da Cana Verde - com um portal esculpido em 1547 por mestre João Lopes - e a dos Fiéis de Deus - que ostenta um portal renascentista da autoria do mesmo escultor e aparatosa talha do reinado de D. Pedro II, felizmente poupada pelo pavoroso incêndio de 1809. Em consequência deste sinistro, as obras de restauro realizadas na segunda metade do século XIX originaram o preenchimento da cobertura das naves do templo com reboco pintado, facto que ainda hoje suscita alguma controvérsia.
A sacristia possui rica ornamentação barroca, salientando-se o belo teto de masseira com ornatos policromos e o monumental arcaz que se estende a todo o comprimento da parede principal.
Foi classificada Imóvel de Interesse Público por decreto de 17 de abril de 1953.
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