Artigos de apoio

Sebastião da Gama
Licenciado em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, exerceu a função de professor do ensino técnico. Morreu com 28 anos, vítima de uma tuberculose que se declarara desde criança. Colaborador de Távola Redonda (50-54), estreou-se em volume em 1945 com Serra-Mãe, exercendo para os que procuravam, como David Mourão-Ferreira ou António Manuel Couto Viana, no fim da década de 40 e início da década de 50, um exemplo de superação da oposição entre necessidade de empenhamento versus liberdade de criação em que se debatia a poesia, marcada ainda pela polémica entre presencistas e neorrealistas. Em carta a David Mourão-Ferreira, em 1946, defende que "a arte é a vida, nos seus matizes múltiplos, posta em beleza, não a política, não a religião, não a moral postas em beleza; que o artista verdadeiro apenas responde às vozes que chamam dentro de si - o que não quer dizer que essas vozes não tenham sido caldeadas em muitas vozes exteriores." (cf. MOURÃO-FERREIRA, David - 20 Poetas Contemporâneos, 1980, p. 232). Poeta marcado pela consciência de que a sua vida seria efémera, a poesia de Sebastião da Gama descreve uma lúcida aprendizagem da morte, não como desistência e desalento, mas como confiança na vida ("Foi necessário ter perdido tudo/ para chegar à perfeição enorme/ de não poder perder a confiança" in Itinerário Paralelo), manifestada na exaltação da Natureza e de Deus. Herdeiro de Régio na expressão da inquietação religiosa, resolve o maniqueísmo do fundador da Presença, num apaziguamento que nasce da entrega do sujeito poético a uma Natureza que é, na tradição franciscana, um "sinal da Beleza de Deus incarnada nas coisas (Belchior, pref. a Gama, 1983, p. 26).
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