secularização

A secularização é um processo através do qual a religião perde a sua influência sobre as variadas esferas da vida social. Esta perda de influência repercute-se tanto no número de membros e suas práticas, como na perda de prestígio das igrejas e organizações religiosas, repercutindo-se esta perda na influência na sociedade, na cultura, na diminuição da sua riqueza, e, por fim, na desvalorização das crenças e nos valores a elas associados. Muitos indivíduos ainda se definem como religiosos, mas não aderem a uma participação ativa nos serviços religiosos nem orientam os seus comportamentos e valores pela religião que dizem professar, ou ditados pelas instituições religiosas que tutelam essas crenças e valores. O pluralismo religioso contribuiu, em parte, para o fenómeno da secularização ao relativizar a crença. A secularização, ao combinar-se com este pluralismo, age sobre a socialização religiosa individual, de modo a que cada indivíduo construa a sua própria identidade religiosa, tornando-se, assim, distante em relação às instituições religiosas e aos princípios que ela enuncia. Uma religião por catálogo, crítica e escolhida - e já não herdada -, provoca ela mesmo um avanço do processo de secularização e está na origem da "crise" das Igrejas, como instituições representativas e definidoras de uma relação com o religioso.
A partir do século XIX houve um progressivo declínio da influência das instituições religiosas tradicionais, mesmo afirmando que nunca uma crença ou instituição religiosa a ela ligada tenha obtido uma unanimidade absoluta. Este declínio verificou-se tanto na prática dos fiéis, como na dificuldade crescente em recrutar clero para o desenvolvimento e manutenção da instituição. A maior parte dos estudos versou a tentativa de compreensão deste fenómeno. Hoje, a investigação já não se centra tanto nas causas e nas razões da secularização, mas nas possibilidades da relação da modernidade com o religioso.
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