Sepultura

Banda metal brasileira fundada em 1985, em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, Brasil. Quando, no início da década de 80, quatro jovens se fechavam, horas a fio, numa garagem, para ensaiar, estariam longe de pensar no impacto que o grupo teria mais tarde. Paulo Junior (baixo), Jairo Guedez (guitarra), Max Cavalera (guitarra e voz) e Igor Cavalera (bateria) deram os primeiros passos do universo metal brasileiro apresentando-se nos locais típicos da cena metaleira. O primeiro registo discográfico, dividido com os conterrâneos Overdose, editado em 1985, mostrava ao Brasil o extremismo sonoro que o grupo defendia, conquistando, desde logo, uma legião de fãs crescentes no Brasil. A estreia a sós, Morbid Visions, do ano seguinte, seria a rampa de lançamento para os primeiros espetáculos com outro impacto. A banda registava um crescimento sem precedentes, numa fase em que Jairo Guedez abandona o projeto. Andreas Kisser foi recrutado para suprir a lacuna, introduzindo no som da banda uma estética inovadora e arrojada. Essa viragem seria notória no segundo álbum, um marco do metal brasileiro e que abriu aos Sepultura as portas de outros palcos, inclusive alguns locais fora do Brasil. O interesse internacional sobre os Sepultura cresceu, ao ponto de Schizophrenia ser alvo de uma edição europeia pirata que atingiu a incrível marca de 30 mil cópias vendidas. Em 1987, em sequência do crescimento artístico da banda, o selo holandês RoadRunner oferece à banda um contrato discográfico. O primeiro produto desse acordo, Beneath the Remains, chegado às lojas em 1989, tornar-se-ia um dos mais respeitados discos da história do metal mundial. O álbum seria o móbil da primeira digressão internacional dos Sepultura, na companhia dos alemães Sodom, passando pela Europa, Estados Unidos e México. Essa digressão solidificou o nome da banda nos circuitos do metal mundial, justificando inclusivamente a gravação dos primeiros vídeoclipes, para as faixas "Inner Self" e "Beneath the Remains".

A fama da banda estava nos píncaros mas o trajeto ascendente seria marcado por um episódio infeliz. Por ocasião de um espetáculo gratuito, na promoção de Arise (1991), junto ao Estádio Pacaembu, em São Paulo, para mais de 40 mil pessoas, um jovem é assassinado. Essa fatalidade teria algumas repercussões negativas nos Sepultura, com alguns produtores brasileiros a não arriscarem realizar concertos com a banda. Por oposição, a promoção internacional do álbum foi extensa e muito bem-sucedida. Mas a afirmação definitiva de um som diferente aconteceria com Chaos A.D. (1993), disco emblemático da mistura do som cru da banda com elementos da música popular e tribal, coisa que se tornaria uma imagem de marca da banda. Com um lançamento impressionante num castelo medieval inglês e face a grande parte da imprensa mundial, o disco mostrava uma superbanda. O single "Territory" seria reconhecido como o melhor vídeoclipe do ano pela MTV Brasil. Na sequência do êxito tornar-se-ia a primeira banda brasileira a atuar no mediático Monsters of Rock, certame inglês de metal. Roots (1996) mostrava o resultado da vivência da banda com a tribo dos índios Xavantes, com um som mais experimental e marcado pela fusão com os embalos tribais. Depois começaram as divisões internas. Primeiro, por ocasião de uma atuação no Monsters of Rock de 1996, a que Max Cavalera faltou, em virtude da morte de um amigo da banda e seu afilhado. A banda teve de atuar como um trio, em profundo ambiente de pesar. Os desentendimentos com Max e com a mulher deste, também empresária da banda, agravaram-se quando os restantes elementos (Andreas, Igor e Paulo), entendendo que a empresária não os estava a representar da melhor forma, decidiram prescindir dos seus serviços. Max não aceita a decisão dos companheiros e abandona os Sepultura. Trabalhando como um trio - Max fundara os Soulfly -, Andreas assumiu os vocais. Todavia, depressa se percebeu que ele não se sentia à vontade e a banda começou a procurar novo vocalista. O americano Derrick Green seria o escolhido. O regresso público da banda aconteceu num grande evento de beneficência em São Paulo, O Barulho Contra Fome, com bom acolhimento do público ao novo vocalista. Depois de algumas edições discográficas com este alinhamento, Igor Cavalera deixaria o projeto, em 2006, sendo substituído por Jean Dolabella.

Discografia 1985, Bestial Devastation (Split LP com os Overdose)
1986, Morbid Visions
1987, Schizophrenia
1989, Beneath the Remains
1991, Arise
1993, Chaos A.D.
1996, Roots
1998, Against
2001, Nation
2003, Roorback
2002, Under a Pale Grey Sky (Ao Vivo)
2005, Live in São Paulo
2006, Dante XXI

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