Sérgio III

Papa italiano, de origem romana, pertencente à nobreza tuscolana, era bispo de Caere e conde de Tusculum. Tinha sido um dos candidatos apresentados para a sucessão do papa Teodoro II, em 898, apoiado pelo marquês Adalberto da Toscânia e pela aristocracia. Na altura foi eleito João IX, defensor do papa Formoso, posição diametralmente oposta à de Sérgio.
A sua nomeação esteve estreitamente ligada à tomada de poder da dita aristocracia, uma vez que o duque Alberico de Spoleto e o líder da milícia romana, Teofilacto, tomaram as rédeas do poder de Roma em 904. Deste modo, a pirâmide social romana passou a possuir no seu topo o papa e a seguir a nobreza, que exercia praticamente todo o poder. O seu papado ocorreu de 29 de janeiro de 904 a 14 de abril de 911.
Ao subir ao trono pontifício declarou nulos os pontificados dos seus dois antecessores, Leão V e João IX, considerando que o seu papado se tinha iniciado em 898. Determinou igualmente a invalidez de todas as disposições dos dois pontífices, como era uso, incluindo os sínodos que tinham reabilitado a memória do papa Formoso. Nesta época surgem dois testemunhos contraditórios acerca de Marozia, que era filha do senador Teofilacto e casada com o conde Alberico de Spoleto: um deles, emitido por Vulgarius, conta que Marozia era uma virtuosa mulher; o outro, de Liutprando de Cremona, descreve-a como uma libertina e mãe daquele que seria o papa João XI, nascido da sua relação com Sérgio III.
Este papa interveio na questão entre o patriarca de Bizâncio, Nicolau, o Místico, e o imperador, Leão VI. O imperador recorreu da excomunhão que Nicolau tinha ordenado, por ele se ter casado pela quarta vez. O papa retirou a excomunhão e depôs o patriarca bizantino, considerando que em caso de viuvez se poderia casar livremente, sem contar com as vezes que tal facto tivesse acontecido.
Foi durante este pontificado que se terminaram as obras de restauro da basílica de Latrão, danificada no final do papado de Estêvão VI.
Como referenciar: Sérgio III in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-06-02 00:06:12]. Disponível na Internet: