Sergio Leone

Realizador e argumentista italiano, nasceu no dia 3 de janeiro de 1929, na cidade de Roma. Um dos mais famosos cineastas mundiais, Sergio Leone desde cedo entrou em contacto com o meio cinematográfico, visto ser filho de uma atriz e de um dos mais reputados realizadores de filmes mudos, Vincenzo Leone. Ainda jovem, emprega-se como assistente de realização nos estúdios Cinecittà, chegando depois a argumentista numa época em que imperava o peplum, um género cinematográfico baseado em temáticas históricas e mitológicas. Em 1959, no final das filmagens de Gli Ultimi Giorni di Pompei (Os Últimos Dias de Pompeia), Leone substitui o realizador Mario Bonnard acometido de doença súbita. A estreia a solo de Leone dá-se com Il Colosso di Rodi (O Colosso de Rhodes, 1961), uma superprodução histórica com grandiosas cenas de batalhas que mereceram o elogio da crítica. Influenciado por Akira Kurosawa, o projeto seguinte de Leone procurou recriar o clássico Yojimbo do realizador nipónico e conferir-lhe uma visão mais ocidentalizada. O resultado foi Per un Pugno di Dollari (Por um Punhado de Dólares, 1964) e marcou não só a revitalização de um género que estava em crise (o western), mas também foi o início de um subgénero que conheceria muita popularidade:o western spaghetti, mais violento e com uma componente menos psicológica do que o seu congénere americano. Este filme fez de Clint Eastwood (até então um ator desconhecido com apenas alguns trabalhos televisivos) uma estrela à escala mundial e o filme foi bem acolhido até nos EUA. Este filme marcou o início de uma parceria entre o realizador Sergio Leone e o compositor Ennio Morricone que continuaria nas duas sequelas seguintes: Per Qualque Dollari in Più (Por Mais Alguns Dólares, 1965) e il Buono, il Brutto, il Cattivo (O Bom, o Mau e o Vilão, 1966). Devido ao êxito destes títulos, os estúdios da Paramount convidaram-no a recrear o género western spaghetti em Hollywood. Chamando Bernardo Bertolucci como colaborador, Leone veio a assinar aquela que foi considerada pela crítica como a sua obra-prima: Once Upon a Time in the West (Aconteceu no Oeste, 1968) com Henry Fonda, Charles Bronson, Claudia Cardinale e Jason Robards. O filme foi muito subestimado pelos produtores, que exigiram fazer cortes no filme alegando a sua excessiva duração. O resultado final foi de 165 minutos mas a obra não convenceu o público americano, que primou pela ausência aquando da sua exibição nas salas. Magoado com os critérios de montagem do filme estabelecidos pela Paramount, só realizará mais um filme com o patrocínio de Hollywood na década de 70: Duck, You Sucker (Aguenta-te Canalha, 1972), com Rod Steiger e James Coburn. Recusou assumir a realização de The Godfather (O Padrinho, 1972) para se dedicar de corpo e alma a um projeto pessoal, um épico sobre os anos 20 e as relações entre gangsters nos Estados Unidos da América. Devido à falta de financiamento e a atrasos de produção, Once Upon a Time in America (Era uma Vez na América, 1984) viria a ser lançado com uma década de atraso. Protagonizado por Robert de Niro e James Woods, o filme foi um êxito entre os críticos e melhor acolhido na Europa do que nos EUA, uma vez mais devido à decisão dos produtores e distribuidores americanos fazerem cortes no filme, originalmente com cerca de 220 minutos. Galvanizado, Leone encetou o projeto de filmar o cerco de Leninegrado na Segunda Guerra Mundial. Contudo, a morte viria a surpreendê-lo em Roma, a 30 de abril de 1989.
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