sermão

Discurso oratório, o sermão clássico é composto de exórdio, exposição ou confirmação e peroração, podendo incluir também uma invocação. No exórdio ou introdução, o pregador expõe o plano a desenvolver e as ideias a defender; na invocação, pede o auxílio divino; na exposição ou confirmação surge o corpo do discurso, com a explanação do tema, das ideias e seu desenvolvimento; na peroração, deve ser utilizado um desfecho forte, capaz de impressionar o auditório e levá-lo a pôr em prática os seus ensinamentos.
O sermão tem como propósito ensinar a palavra de Deus, explicando-a e exortando aos bons costumes, como acontece no "Sermão da Montanha", proferido por Jesus Cristo, no início da vida pública, que S. Mateus apresenta nos capítulos 5 a 7, e que abre com as "bem-aventuranças". Dependendo dos objetivos e do auditório, pode haver diferenças no tipo de sermão, mas os seus propósitos têm sempre de se orientar para instrução dos crentes sobre as grandes verdades da fé; o desenvolvimento de um sentimento de amor e de devoção a Deus; a orientação do comportamento e das relações sociais de acordo com os princípios morais; o alerta para as crises individuais e coletivas; e a persuasão do caminho do bem.
Como arte oratória, o sermão recorre ao discurso argumentativo.

Na literatura portuguesa, Sermões são o principal título da obra do Padre António Vieira. Depois de os haver proferido diante de plateias diferentes, o orador conseguiu publicá-los com êxito. Para manter o auditório atento e, em parte o leitor, recorreu a um conjunto de artifícios literários, associados a variações de intensidade, de ritmo ou de inflexão da voz.
Como referenciar: sermão in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-10 05:33:26]. Disponível na Internet: