sexualidade

É característica da espécie humana a associação da pulsão procriadora básica, essencial à preservação da espécie, a todo um componente afetivo e psicológico num sentido mais lato. A sexualidade humana é assim resultado da interação de componentes biológicos, culturais, educativos e sociais. A dimensão metafísica do comportamento sexual que daí resulta confere-lhe uma complexidade enriquecedora que o tornou alvo de interesse científico e que faz com que as suas disfunções e desvios sejam passíveis de sistematização e de tratamentos mais ou menos específicos.
As disfunções sexuais podem significar problemas biológicos, psicológicos ou uma combinação de ambos, e podem definir-se como a incapacidade de ter relações sexuais ou de obter prazer nelas. Agrupam-se em alterações do desejo (inibição de desejo e aversão sexual), alterações da excitação (disfunção erétil no homem e disfunção excitatória na mulher), alterações do orgasmo (anorgasmia na mulher, ejaculação prematura ou retardada no homem) e alterações sexuais dolorosas (vaginismo e dispareunia). Os desvios sexuais, mais corretamente chamados parafilias, são caracterizados por impulsos sexuais, fantasias ou práticas não habituais, desviantes ou bizarras. Têm muitas vezes carácter compulsivo e são aceites pelas teorias psico-analíticas como resultado da fixação numa das fases de desenvolvimento psicossexual. São muitas vezes vividos com fortes sentimentos de culpa e enquadram frequentemente quadros psiquiátricos complexos que justificam tratamento.
As parafilias atualmente descritas pelos sexólogos são: fetichismo (obtenção de excitação com objetos inanimados, por exemplo sapatos ou roupas), exibicionismo (exibição dos órgãos genitais), parafilias excretoras (coprofilia e urinofilia: urinar ou defecar no parceiro), frotteurismo (roçar os genitais contra outra pessoa para obter excitação e atingir orgasmo), pedofilia (atividade sexual com menores de 13 anos), masoquismo (obter prazer recebendo sofrimento físico ou psicológico), sadismo (obter prazer causando sofrimento físico ou psicológico), transvestismo (vestir-se como e representar papel do sexo oposto), voyeurismo (obter prazer pela observação doutras pessoas praticando ato sexual ou apenas desnudadas) e zoofilia (atividade sexual com animais).
A homossexualidade, outrora também considerada um desvio de orientação sexual, foi retirada na última revisão da classificação das doenças mentais da Associação Americana de Psiquiatria - DSM III-R (esta classificação é aceite pela sociedade científica ocidental como a mais válida) -, não sendo pois considerada uma patologia.
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