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Shmuel Yosef Agnon

Escritor israelita, Shmuel Yosef Halevi Czaczkes nasceu a 17 de julho de 1888, em Buczacz, localidade então pertencente ao Império-Austro-Húngaro, atualmente território polaco. Filho de um peleteiro que havia trocado a carreira rabínica pelos negócios, aprendeu com ele a tradição hebraica, tornando-se versado na lei talmúdica logo aos nove anos de idade. Tendo começado a escrever muito cedo, publicou alguns dos seus poemas compostos em Hebreu e Iídiche quando contava apenas quinze anos de idade.
Em 1907 mudou-se para a Palestina e, fixando-se em Jafa, tornou-se no primeiro secretário do Tribunal Judaico dessa cidade. No ano seguinte publicou o seu primeiro livro, uma novela com o título Agunot (1908), que inspirou o seu pseudónimo, Shmuel Agnon, que veio a adotar legalmente como seu nome em 1924.
Em 1912 regressou à Europa, prosseguindo os seus estudos de Literatura em Berlim, onde teve oportunidade de contactar outros escritores. Trabalhou como assistente de pesquisa académica e participou na fundação do periódico Der Jude, jornal de expressão étnica judaica. Em 1924 partiu para Jerusalém, onde permaneceu o resto da sua vida. Em 1931 publicou um dos seus maiores romances, Hachnasath Kallah, no qual contava em tons de ironia a história de Reb Yudel que, atormentado pela mulher, decide partir em busca de um dote para as suas filhas.
Em consequência de uma pequena viagem à sua terra natal, Agnon publicou Ore'Ah Nata Lalun (1938-39, O Hóspede de Uma Noite), obra em que descreve a decadência espiritual que se abateu sobre os meios judaicos europeus após a Primeira Grande Guerra. Em 1945 publicou aquele que é considerado o seu maior romance, Temol Shilshom (Ontem e Anteontem), em que as viagens de Yitzhak Kummer se tornam de certa forma numa profecia para o movimento sionista. Em 1951 apareceu Sefer Hamaasim, uma coletânea de contos que emprega uma técnica de fluxo de consciência semelhante à utilizada por Franz Kafka.
Feito cidadão honorário da cidade de Jerusalém em 1962, e gozando de grande popularidade, Agnon partilhou com Nelly Sachs o Prémio Nobel da Literatura em 1966.
Faleceu a 17 de fevereiro de 1970, vítima de um ataque cardíaco.
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