Sibila (romana)

Tal como na Grécia, existiu também uma Sibila itálica, romanizada e identificada pela tradição com a Sibila grega de Éritras (por isso chamada Eritreia). A Sibila itálica era designada de S. de Cumas, cidade da Campânia (sul de Itália) fundada por imigrantes gregos. A sua importânica e fama deve-se aos livros que continham profecias e oráculos que os Romanos entenderam como bastante importantes para a governação da Cidade. O nome verdadeiro da Sibila de Cumas era Amalteia, embora houvesse quem lhe chamasse Demófile ou Erófile. Existia também uma Sibila Tiburtina, ligada a uma cidade latina perto de Roma, a atual Tivoli, e ao próprio rio que banha a Urbe, o Tibre. As outras sibilas latinas que aparecem nas lendas e na literatura clássica são a Sibila Líbia, a Itálica e a Ciméria. Esta última, como a Tiburtina, identifica-se com a Sibila de Cumas, a sibila latina mais famosa e de maior importância na sociedade romana. As sibilas romanas, tal como as gregas, tinham como função interpretar os oráculos sagrados e os sinais enviados pelos deuses aos mortais, adivinhando ou profetizando o destino do povo ou, individualmente, de quem recorresse aos seus poderes divinatórios.
Apolo terá concedido a Amalteia tantos anos de vida quantos os grãos de areia que pudesse ter na sua mão, mas com a condição de nunca voltar à sua terra, Éritras, na Grécia, pois logo morreria. Por isso, viria a estabelecer-se definitivamente em Cumas. Contudo, recebeu um dia uma carta de Éritras, que tinha um selo feito com terra eritreia. Assim, a carta acabou por ser fatal à Sibila, que logo sucumbiu devido a este descuido dos seus compatriotas. Outra lenda diz que esta Sibila era amada por Apolo, o qual lhe disse que cumpriria o primeiro desejo que ela enunciasse. A Sibila pedira-lhe então uma longa vida, mas ter-se-á esquecido de pedir também a juventude. Apolo, manhoso, ofereceu-lhe então a juventude em troca da sua castidade, mas a Sibila logo recusou, preferindo ficar casta.
Envelheceu a Sibila, ficando cada vez mais pequena e encolhida, até ficar do tamanho de uma cigarra, pelo que foi encerrada numa gaiola de pássaros no templo de Apolo, na polis de Cumas, na Magna Grécia (sul de Itália, neste caso perto de Nápoles). Diz ainda a lenda que as crianças lhe perguntavam constantemente o que é que ele mais queria, respondendo a Sibila: "A morte!".
A romanização da lenda de Sibila prende-se sobretudo com uma tradição que refere que ela terá ido para Roma no tempo de Tarquínio o Soberbo, levando consigo nove livros de oráculos. Refira-se que alguns autores dizem que a Sibila de Cumas terá ido para Roma no reinado de outro Tarquínio, dito Prisco. A importância desta Sibila "romana" radicava pois na posse e poder de interpretação dos livros de oráculos que trouxera da Grécia.
Fosse qual fosse o Tarquínio, logo a Sibila terá tentado vender os livros dos oráculos ao dito rei, mas este recusou, considerando-os caros. Tarquínio riu-se mesmo dela, mandando-a embora; a Sibila queimou então três dos livros e ofereceu-lhe os seis restantes pela quantia inicial. O rei continuou a não querer pagar e a sacerdotisa queimou outros três, oferecendo-lhe os últimos três sempre pelo mesmo preço. Desta vez, todavia, Tarquínio consultou os áugures que lamentaram a perda dos seis livros e aconselharam-no a comprar os que restavam.
O soberano mandou-os então colocar no templo de Júpiter, no Capitólio. Concluída esta venda dos oráculos, logo a Sibila terá desaparecido da Urbe. O três livros encerrados no templo de Júpiter tiveram, no entanto, uma influência decisiva no desenvolvimento da religião romana, pelo menos até ao reinado de Octávio Augusto. Eram bastante consultados pelos Romanos, em caso de desgraça ou calamidade pública, prodígio ou de acontecimentos fora do comum, para além das prescrições religiosas. Nestas, por exemplo, para se introduzir um novo culto ou levar-se a efeito sacrifícios de natureza expiatória teria que se consultar as recolhas dos oráculos da Sibila de Cumas encerrados no templo de Júpiter Capitolino. Os oráculos facultavam ao consulente todo um conjunto de soluções de acordo com a situação que originava sua consulta. Existia mesmo um corpo de quinze altos funcionários (magistrados chamados Quindecênviros, de Quindecimuiri Sacris Faciundis) encarregados de zelar e conservar os livros dos oráculos da Sibila de Cumas. Apenas se podia consultá-los com a devida autorização do Senado.
Por conseguinte, a Sibila entre os Romanos substituía-se aos oráculos, que eram mais importantes para os Gregos. Convirá saber que a existência dos Livros Sibilinos é histórica e comprovada, podendo-se mesmo dizer que foram destruídos no referido templo em 83 a. C. mas logo substituídos por outros. Foram utilizados os Livros Sibilinos entre os Romanos até ao século IV da nossa era, quando Teodósio os mandou queimar.
Virgílio, na sua Eneida, confere à Sibila de Cumas a missão de guiar o herói Eneias na sua descida às profundezas dos Infernos. Esta mostrou-lhe onde podia apanhar o ramo de ouro nos bosques nas margens do lago Averno, que faria com que ele pudesse penetrar no reino de Hades. Antes, ter-lhe-á predito os padecimentos e perigos que teria que suportar e enfrentar para conseguir conquistar a península itálica. Para os Romanos teriam existido, ao todo, entre dez a doze Sibilas. Os Cristãos viriam a dizer mais tarde que as Sibilas, profetisas e adivinhas do futuro, teriam previsto o surgimento da religião cristã no seio do Império Romano.
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