Silvério Pessoa

Compositor e cantor brasileiro, Silvério Pessoa nasceu no dia 6 de janeiro de 1962, em Carpina, na região do Pernambuco, Brasil. Filho de uma professora de acordeão, passou a infância em contacto com as mais diversas manifestações culturais do Nordeste, cedo se identificando com os sons de Pernambuco. Com a avó, dividia uma barraquinha nas feiras regionais, tomando contacto com outras manifestações artísticas, sempre com o rádio portátil ligado. Foi-se familiarizando com a música nordestina, nas sessões radiofónicas em que participou também com a avó. Em 1982, já formava o seu primeiro agrupamento, com o nome Elfos. Seria, contudo, em 1994 que fundaria os Cascabulho, com quem partiu em digressão pelo Canadá, Estados Unidos e Alemanha, participando em diversos festivais de world music e de música popular no Brasil. Em 1999, seria galardoado com o Prémio Sharp, na categoria de compositor de música regional. Com a extinção do agrupamento, desenvolveu um trabalho partindo da música de Jacinto Silva, compositor alagoano, lançando o longa-duração Bate o Mancá, reeditado três anos depois, com distribuição europeia e merecendo inúmeras citações em publicações internacionais especializadas. Depois disso, homenageando a carreira de Jackson do Pandeiro, faz uma revisão da música carnavalesca dos anos 50 e 60. O disco colheria boas apreciações da crítica brasileira e confirmaria a importância de Silvério Pessoa na preservação da identidade sonora de parte significativa do cancioneiro nacional brasileiro. Nos anos seguintes, dedicaria algum tempo a uma série de digressões pela Europa, principalmente em França. Participou em alguns festivais importantes como o Sfinks Festival, na Bélgica, a Festa da Música, em Paris, dividindo palcos com gente célebre como Manu Chao, os Asian Dub Foundation ou Lokua Kanza.

Lançado em 2003, o documentário Moro no Brasil, narrado e protagonizado por Silvério Pessoa, mostrava a cultura e as tradições etnográficas dos povos da Zona da Mata. A película seria integrada no programa do Festival de Cannes desse ano. Conjugando a atividade de professor e a participação em diversas palestras culturais no Brasil com a carreira musical, privaria com outros artífices admiradores da música com raízes populares, casos dos marselheses Massilia Sound System, dos americanos Nux Vomica e dos franceses Fabulous Troubadors e La Talvera. Em 2005, é selecionado para fazer parte do projeto Pixinguinha, participando em alguns concertos no Sul e Sudeste brasileiros. Ainda nesse ano, editou o terceiro disco a solo, com convidados ilustres como Lenine, Lula Queiroga e Zé Vicente da Paraíba. Com esse álbum, venceria o prémio TIM, na categoria de melhor cantor de música regional. O disco seria muito bem acolhido pelo público, tornando-se o seu melhor desempenho comercial e viria a merecer, algum tempo depois, o lançamento em DVD, reportando a alguns espetáculos de apresentação do álbum ao vivo.

Discografia 1998, Fome Dá Dor de Cabeça (com o grupo Cascabulho)
2001, Bate o Mancá - O Povo dos Canaviais
2002, Batidas Urbanas - Projeto Micróbio do Frevo
2005, Cabeça Elétrica - Coração Acústico

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