sionismo

O jornalista austríaco Theodor Herzl (1860-1904) publicou um livro, Der Judenstaat (O País dos Judeus), em que defendia que apenas com a criação de um estado independente seria possível aos judeus praticarem a sua religião e viverem a sua cultura em segurança. Em 1897, esta ideia foi reforçada no Primeiro Congresso Sionista Mundial, na Suíça, em que Chaim Weizzmann defendeu que esse estado deveria ser localizado na Palestina, não porque houvesse um real assentamento de judeus depois da conquista de Jerusalém, em 70 d. C., mas porque os judeus consideravam Jerusalém a sua pátria espiritual e citavam-na nas suas orações. Esta ideia de uma nação-estado na Palestina não foi aceite nem pelos judeus ortodoxos nem pelos outros judeus, que acreditavam pertencer aos países onde viviam com as suas famílias. Nem mesmo o apoio britânico a esta pretensão, expresso na Declaração de Balfour, em 1917, motivou uma significativa adesão à ideia e as migrações de judeus para a Palestina foram muito reduzidas e assim se mantiveram até à Segunda Guerra Mundial.
O genocídio de seis milhões de judeus levado a cabo pelo partido nazi alemão, de 1939 a 1945, fez com que os sobreviventes do holocausto e os restantes judeus da diáspora valorizassem as teorias sionistas de Herzl, convencendo-se de que só a constituição de uma nação-estado poria fim às perseguições e ao seu sofrimento. O Estado de Israel foi formalmente constituído em 1948, transformando em realidade um desejo ancestral que estava na base do movimento sionista. Após esta conquista, o sionismo alargou o seu campo de ação, estabelecendo como suas prioridades no XXVII Congresso Sionista, realizado em Jerusalém, a "unidade do povo judaico e a centralidade de Israel na vida judaica" e "a proteção dos direitos dos judeus onde quer que estes se encontrem", para além da elaboração do Estado de Israel e da admissão do povo judaico nessa pátria e a promoção da educação e valores culturais e espirituais judaicos. A aliya, ou migração para Israel, por parte dos judeus, é o principal objetivo do movimento sionista. Em 1975, o movimento sionista sofreu um duro revés ao ver condenada a sua filosofia como "uma forma de racismo e discriminação racial" relativamente às minorias árabes e comparada ao apartheid por uma resolução da Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU acabou por revogar a sua própria resolução, em dezembro de 1991, apesar do agravamento dos conflitos étnicos e sociais entre judeus e árabes na Palestina.
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