skinheads

Os skinheads surgiram na Inglaterra, na década de 60 do século XX, no seio da classe trabalhadora com problemas económicos e de emprego, transferindo o seu descontentamento para os grupos étnicos minoritários, tidos como outsiders, sobretudo de imigrantes sul-asiáticos a que chamavam pakis. Para se distinguirem e se identificarem como "tribo", os skinheads apresentavam a cabeça rapada e usavam suspensórios, jeans e casacos de couro. Este movimento teve um período de declínio no fim dos anos 60, para ressurgir em força juntamente com outros movimentos racistas em 1978.
Apesar de aparentemente não terem uma estrutura formal e organizada, os skinheads ligaram-se a partidos políticos já estabelecidos e foram aceites por outros movimentos e grupos racistas como os Ku Klux Klan, a Liberty Lobby e a Whyte Arian Resistance, dos EUA, e os partidos radicais de direita na Alemanha, como a National Front e o Deutsche Alternativ.
Nos EUA, um dos casos mais conhecidos julgados em tribunal foi o de Tom Metzger, líder da White Arian Resistance e membro dos Ku Klux Klan acusado de inspirar um grupo de skinheads que espancaram até à morte um imigrante etíope, Mulvgeta Seraw. Tom Metzger foi condenado a pagar uma indemnização à família da vítima no valor de doze milhões e meio de dólares. Foram muitos os casos de vandalismo e violência em ataques a minorias étnicas por parte dos "cabeças rapadas" nos anos 80 e 90 do século XX. A violência e a frequência destes ataques fez com que o governo alemão proibisse, em 1992, a produção, venda e distribuição de música skinhead, um género conhecido por "Oi!", por a sua letra promover e instigar o racismo e o genocídio. Este género de música teria sido lançado na Inglaterra, em 1980, pelo grupo inglês The Cockney Rejects e seguida na Alemanha por grupos como os Störkraft ("Força Destruidora"), os Endstufe ("Estágio Final") ou Kahlkopf ("Cabeça Rapada"). Na década de 90, o movimento skinhead ganhou adeptos nos países da Europa Oriental, como a Polónia, Hungria ou República Checa, economicamente enfraquecidos e culturalmente desenraizados, que tinham como principais vítimas os ciganos, os judeus e os refugiados políticos. Quase todos os países da Europa têm exemplos de seguidores do movimento skinhead, que alternam períodos de existência latente com surtos ou picos de violência, sobretudo em momentos de crise económica ou de descontentamento social.
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