Soajo

A vila portuguesa do Soajo, no concelho de Arcos de Valdevez, é uma freguesia com 3913 hectares que fica delimitada a norte pela freguesia da Gavieira, a este por Espanha, a sul pelas freguesias de Lindoso e Britelo e a poente pelas freguesias de Gondoriz, Cabana Maior, Vale e Ermelo. Está situada numa das vertentes da serra da Peneda, sobre o rio Lima, e é constituída por casas de pedra situadas em ruas pavimentadas a granito.
O Soajo, com cerca de 1160 habitantes (2001), chegou a ter uma população de cerca de duas mil pessoas em 1801 e de 3159 em 1849. A vida em comunidade foi uma das características que marcou a história local e até ao início do século XIX havia um juiz eleito pelo povo. O Soajo terá sido fundado por volta do século I e ao longo dos tempos recebeu diversos forais. A última carta de foral terá sido recebida no século XVI, mais precisamente em 1514. Mais tarde, foi vila e sede de concelho, englobando as freguesias de Ermelo, Gavieira e Soajo, situação que se manteve até 1852. Perdeu esse estatuto com a reforma liberal.
Soajo tem uma eira comunitária de 24 espigueiros de pedra sobre uma laje de granito, o mais antigo dos quais é de 1782. Parte destes espigueiros ainda é utilizada na atualidade. Estes espigueiros foram erigidos quando se incrementou o cultivo do milho e servem para resguardar os cereais das intempéries e dos animais. Têm as paredes fendidas para deixar circular o ar e no topo, geralmente, fica uma cruz, pedindo proteção divina.
Existe na vila um pelourinho que segundo a tradição representa um pão a esfriar na ponta de uma lança. No reinado de D. Dinis, as gentes locais ter-se-ão queixado de abusos dos fidalgos e o rei terá ordenado que estes não se demorassem por lá mais do que o tempo de esfriar um pão na ponta de uma lança.
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