Sociedade Colonial Portuguesa no Brasil

Os primeiros portugueses chegaram ao Brasil em 1531, com Martim Afonso de Sousa que recebeu a capitania de São Vicente. A expedição integrava cerca de 400 pessoas de várias proveniências, onde se contavam alguns gentis-homens, artífices e lavradores. Os colonos provinham, em geral, de um estrato baixo da sociedade, homens que emigravam para o Brasil à procura de fazer fortuna. As mulheres eram escassas e, desde muito cedo, deu-se o fenómeno da miscigenação com as indígenas e, mais tarde, com as mulheres africanas, criando as bases para uma sociedade multi-racial. Por parte das autoridades eclesiásticas havia uma grande preocupação em manter os hábitos e costumes cristãos presentes, pois a distância física da metrópole, a baixa instrução da maior parte dos colonos e o facilitismo da vida nos trópicos levava ao relaxe. Acrescia a tudo isto a falta de locais de culto para a população em geral, já que os grandes fazendeiros tinham adotado o hábito de construir uma capela privada nas suas terras, isolando ainda mais as práticas religiosas.
Dois anos após a chegada dos primeiros colonos, foi introduzida, com êxito, a cultura da cana-de-açúcar. O primeiro governador-geral do Brasil foi Tomé de Sousa que se instalou em Salvador da Baía, em 1549. Com ele, chegou ao Brasil uma nova camada de gentes ligadas ao funcionalismo público. Cresceu igualmente o número de mercadores, artesãos e proprietários rurais, atraídos pelo potencial do açúcar. Uma década mais tarde, foi a vez dos jesuítas chegarem ao Brasil, com a intenção expressa de catequizar os índios. Os Tupinambás formavam não só o primeiro grupo com que os portugueses contactaram, como eram também os mais ferozes. Os missionários jesuítas, ao contrário dos colonos que se fixavam no litoral, entravam pelo sertão, indo ao encontro das populações indígenas do interior. Depois criavam aldeamentos, onde os índios, não só eram instruídos na religião católica, como eram forçados a adotar um modo de vida ocidental. Em contrapartida, recebiam dos missionários proteção contra os fazendeiros, que os escravizavam para trabalhar nas suas propriedades.
A população colonial tornou-se mais diversificada e complexa, no século XVII e XVIII, com a expansão das áreas povoadas e a exploração dos recursos naturais. Uma das principais mudanças foi a distinção, cada vez mais marcada, entre as populações dos centros urbanos e as das áreas rurais. Nas cidades e vilas crescia o número de funcionários públicos, artífices, comerciantes, bem como os profissionais liberais: médicos, advogados, tabeliães e juízes. Com a penetração para o interior, a partir de 1698, e a consequente descoberta das riquezas mineiras em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, cresceu o número de aventureiros que tentava a sua sorte nas minas. Por esta altura, o número de escravos negros era significativo, bem como a sua contribuição para a economia da colónia. Chegavam cada vez em maior número para trabalharem nos engenhos de açúcar, mas também nas minas, onde todas as mãos eram poucas para aproveitar esta riqueza dourada. O Rio de Janeiro passou a ser sede de governo a partir de 1763, espelhando uma mudança na orientação económica. O comércio esclavagista toma agora proporções de vulto. Com a expulsão dos jesuítas do Brasil em 1759, o governo adota uma política de integração dos índios na população, encorajando os casamentos mistos. Os escravos negros trabalhavam nos engenhos de açúcar, nas minas ou nos centros urbanos, como criados domésticos, artífices ou trabalhadores indiferenciados. Possuir escravos dava status social e não era um privilégio da população branca, por vezes negros forros ou mestiços também possuíam um escravo. A integração dos escravos na sociedade fazia-se não só pela sua participação como força de trabalho, mas também como contribuintes para o substrato étnico da população. As mulheres na colónia eram sempre deficitárias e o papel das escravas, como concubinas, era um facto. Outras viviam da prostituição, o que lhes permitia pagar a liberdade.
As irmandades, ao abrirem as portas aos escravos negros, não só possibilitavam um meio de ganhar a liberdade, como os escravos encontravam nestes espaços um meio de manter vivas as suas tradições africanas, mesclando-as com a prática religiosa católica. Nas áreas rurais, os engenhos de açúcar funcionavam como micro-sociedades. Para além do senhor de engenho e da sua família, havia os arrendatários, o feitor, os capangas, ou homens armados que mantinham a ordem dentro da propriedade, e os escravos braçais ou domésticos. A vida social restringia-se ao círculo de famílias de fazendeiros e pouco mais.
Em todos os setores e em particular nas camadas mais abastadas e educadas da população procurava-se reproduzir a vida da Europa, indumentária e etiqueta, em total desrespeito pelas condições naturais dos trópicos. Para divertimento, organizavam-se jogos, touradas ou ainda as festas religiosas, das quais a Semana Santa tem particular relevo.
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