Steven Holl

Arquiteto norte-americano, Steven Holl nasceu em 1947, em Bremerton, Washington. Diplomado pela Universidade de Washington em 1971, ano em que efetua estudos de Arquitetura em Roma, complementados com uma pós-graduação na Architectural Association, Londres (1976).

Leciona desde 1981 na Escola Superior de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Columbia, Nova Iorque; na Universidade de Washington, Seattle; no Instituto Pratt e na Escola de Desenho Parsons, ambos em Nova Iorque; e na Universidade de Pensilvânia, Filadélfia.
No período 1985-1999 recebe mais de duas dezenas de prémios e menções pelas suas obras e projetos, de diversas entidades e instituições: da delegação de Nova Iorque da AIA (American Institute of Architects); Nacional da AIA; Progressive Architecture; de Arquitetura Arnold W. Brunner; Prémio à Excelência do Design do Conselho de Arte de Nova Iorque; Nacional de Arquitetura Religiosa da AIA; da Sociedade Japonesa de Promotores Imobiliários; a Medalha Alvar Aalto; e o Prémio Chrysler de Inovação em Design. Referência também para as bolsas da Fundação Graham (1988 e 1993), do NEA; e do Conselho de Artes de Nova Iorque (ambas em 1988). Em 1988, expõe no MoMA de Nova Iorque (Museum of Modern Art).

Entre 1980 e 1999 participa em cerca de quatro dezenas de exposições nos mais diversos locais do Mundo: Nova Iorque, Roma, Berlim, Nova Jérsia, Milão, Tóquio, Frankfurt, Fukuoka, Veneza, Seattle, Montreal, Barcelona, Bordéus, Helsínquia, Hamburgo, Oslo, Roterdão, Los Angeles e Essex. Estas exposições abordavam vários temas, dos quais se destaca: Cultural Connection and Modernity, Galeria Facade, Nova Iorque (1984); Architecture in Transition, Berlim (1984); Urban Section, VII Trienal de Milão (1987); House / Housing, Galeria John Nichols, Nova Iorque (1987); Kiasma, Architectural League, Nova Iorque (1995); Ligth Construction, Museu de Arte Moderna, Nova Iorque (1995); Present and Futures: Architecture in Cities, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB) (1996); e Architect as Seismograph, Bienal de Veneza (1996).

Inicia a sua atividade profissional na Califórnia, estabelecendo-se em 1976 em Nova Iorque. O seu trabalho incide particularmente sobre espaços de exposição, desde galerias a museus; habitação unifamiliar (a casa) e habitação coletiva (o apartamento); estabelecimentos de Ensino Superior; outros tipos menos correntes, como uma capela e um parque numa ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais); bem como projetos mais conceptuais e utópicos, fruto das suas reflexões acerca do território, da cidade, da arquitetura, das pessoas, dos fluxos e vivências.

De entre as suas obras e projetos, destaque para: sala de exposição para a Coleção Pace, Nova Iorque (1985-1986); edifício Híbrido, Seaside, Florida (1985-1988); casa em Cleveland, Ohio (1988-1990); Barras de Contenção Espacial, Phoenix, Arizona (1989); Setores Espiradais, Dallas, Texas (1990); ampliação da Biblioteca Americana em Berlim, 1.° prémio em concurso (1989); Casa Stretto, Dallas, Texas (1990-1992); habitação coletiva, Fukuoka, Japão (1989-1991); Casa Implosão, Haia, Holanda (1992); Galeria Storefront, Nova Iorque (1992-1993); habitação coletiva, Chiba, Japão (1992-1996); edifício Híbrido, Amesterdão (1994); ampliação do Instituto da Ciência de Cranbrook, Bloomfield Hills, Michigan (1992-1998) (ver Gottlieb Eliel Saarinen); Museu de Arte Contemporânea de Helsínquia (Kiasma), 1.° prémio em concurso (1993-1998); Capela de Santo Inácio, Universidade de Seattle, Washington (1995-1997); edifício Sarphatistraat, Amesterdão, (1996- ); Museu da Cidade, Cassino, Itália (1996); Museu de Arte Bellevue, Washington (1997- ); ampliação do MOMA, Nova Iorque (1997); Casa Y, Catskill Moutains, Nova Iorque (1997- ); Parque da ETAR do Lago Whitney, Hamden, Connecticut, (1988); e apartamentos e hotel em Guadalajara, México (1998).

A sua principal ferramenta de trabalho são os diagramas, gráficos, enquanto análise e simultaneamente síntese de cada projeto, mas sobretudo mentais, permitindo a investigação de conceitos e a renovação e experimentalismo constante em cada projeto. Captam, registam e abrem caminho à formalização da ideia de cada um, podendo abordar questões de luz e sombra, de leveza e de peso, referências poéticas, científicas ou individuais / sociais...

O experimentalismo que esta abertura possibilita expressa-se através de um certo plasticismo, que advém dessa poética conceptual e portanto particular, específica, significante; e não uma imagem pretendida a priori a que se atrela um discurso.
Este posicionamento revela e é fruto duma visão pluralista, híbrida, que explora o anormativo, o individual, todas e cada uma das particularidades de cada projeto, sejam do programa (a função a que o edifício se destina e as exigências nela implícitas), sejam do contexto (morfológico, topográfico, geográfico...), sejam especialmente as particularidades de cada usuário. Um programa insípido e burocrático nas suas mãos transforma-se pela exploração inesperada e sensível de um pormenor (valores tangíveis ou intangíveis), exaltando-o, dando-lhe significado, forma, material, textura.

Possui um discurso teórico numa relação de inerência cultural, ciente que está da relatividade de valores, da especificidade de cada indivíduo que constitui a sociedade, do limiar do presente, no fio da navalha de classificações estilísticas, entre o racional e o poético, o formal e o conceptual; uma certa ética humanista.

Em particular os seus projetos Barras de Contenção Espacial, Phoenix, Arizona (1989), e apartamentos e hotel em Guadalajara, México (1998) (no desenvolvimento de uma nova cidade, em que, entre outros, participaram os arquitetos Daniel Libeskind com o projeto da universidade, Toyo Ito com o do museu e Jean Nouvel com o de um edifício de escritórios) manifestam a inquietação do Homem no limite do território ocupado e conhecido, no limite do conhecimento e do que nos é possível conceber.

O Museu de Arte Contemporânea de Helsínquia, designado Kiasma, é igualmente expressão de inquietação, afigurando-se como um estranho objeto urbano, apesar do significado da relação com o contexto (numa abordagem abstração / formalização/materialização).


Como referenciar: Steven Holl in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-07 17:17:36]. Disponível na Internet: