Sudão

Geografia
País da África Oriental. Atravessado pelo rio Nilo, abrange uma área de 2 505 810 km2, sendo o mais vasto Estado africano, com mais de 8% do território do continente. É banhado pelo mar Vermelho, a nordeste, e faz fronteira com a Eritreia, a nordeste, a Etiópia, a leste, o Quénia, a sudeste, o Uganda e a República Democrática do Congo, a sul, a República Centro-Africana, a sudoeste, o Chade, a oeste, a Líbia, a noroeste, e o Egito, a norte. Tem uma zona desértica, que não é mais do que o deserto do Sara, no Norte e no Oeste, ocupando cerca de 30% da área total do país. As principais cidades são Omdurman, a capital legislativa, com 2 211 500 habitantes (2004), Cartum, a capital executiva, com 1 452 600 habitantes, Cartum Norte (1 452 600 hab.), Porto Sudão (468 000 hab.), Nyala (395 400 hab.) e Kassala (348 600 hab.).

Clima De norte para sul, o clima torna-se menos árido. No Sul do país, onde o relevo é mais elevado, a estação das chuvas é mais longa, possibilitando a formação de savanas e a prática agrícola.

Economia
As principais produções agrícolas são a cana-de-açúcar, o sorgo, o algodão, as tâmaras, o amendoim, as sementes de sésamo, a goma-arábica e o trigo. A indústria está limitada à transformação de matérias-primas agrícolas. Os principais parceiros comerciais do Sudão são a Arábia Saudita, o Reino Unido, a Itália e a China.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita, não foi atribuído.

População
O país tinha, em 2006, uma população de 41 236 378 habitantes, que corresponde a uma densidade populacional de 16,04 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 34,53%o e 8,97%o. A esperança média de vida é de 58,92 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,503 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,483 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 61 339 000 habitantes.
O Sudão ocupa grande parte da bacia do alto Nilo, desde os contrafortes das Terras Altas da África Oriental até ao Sara. É um imenso país que manifesta influências étnicas e culturais dos países vizinhos. No Norte, as populações são árabes e muçulmanas. No Sul, predominam africanos negros, alguns cristãos mas, na sua maioria, pagãos que conservam os seus dialetos tribais. Entre as tribos do Sul incluem-se os Dinkas, os Nuers (um dos povos de estatura mais elevada do mundo, medindo muitos homens mais de 2 m de altura), os Shilluks, os Baris e os Azandes. No conjunto da população, os principais grupos étnicos são os árabes sudaneses (49%), os Dinkas (12%), os Núbios (8%), os Bejas (6%), os Nuers (5%) e os Azandes (3%). A religião predominante é o islamismo sunita (72%), seguido das crenças tradicionais (17%) e do cristianismo (11%). A língua oficial do Sudão é o árabe.

História
Na Antiguidade floresceram neste território duas civilizações: a Núbia e o Kush. No século VI, três reinos sudaneses foram convertidos ao cristianismo e constituíram até ao século XIV bastiões contra o avanço do islamismo. Em 1821 os exércitos enviados por Muhammad Ali, do Egito, ocuparam grande parte da região norte e desenvolveram o comércio de marfim e de escravos. Mais tarde, Ismail Paxá tentou alargar a influência do Egito para sul e nomeou o general inglês Gordon governador-geral do Sudão. Em 1881 Mahdi Muhammad Ahmed encabeçou uma revolução destinada a reformar o Islão e a expulsar todos os estrangeiros do Sudão. Em 1898 o sucessor de Mahdi foi derrotado por um exército anglo-egípcio. No ano de 1956 rebentou a guerra civil e um ano depois o Sudão tornou-se independente. Os anos seguintes seriam de instabilidade política. A um regime de democracia multipartidária seguiu-se um golpe militar em 1958 e o regresso a um regime civil em 1964. Em 1969 o coronel Nimeiri chefiou um segundo golpe e, três anos mais tarde, pôs fim à guerra civil, que durava havia 16 anos. Em causa estavam as rivalidades seculares entre o Norte, de religião muçulmana, e o Sul, de tradição cristã e animista de expressão africana.
Nimeiri formou um governo de esquerda e em 1973 proclamou o Sudão um Estado de partido único. Expulsou os conselheiros militares soviéticos em 1977 e procurou ajuda no Ocidente. Esta nova orientação política permitiu negociações com a Etiópia, de que resultou um acordo com Addis-Abeba e o aumento da popularidade do general Nimeiri. Na década de oitenta, o Sudão recebia um auxílio estrangeiro superior a 700 milhões de dólares, mais do que qualquer outro país africano.
O país viria a ser assolado pela seca, que deixou vastas áreas desertificadas. A situação complicou-se com a chegada de um milhão de refugiados, quase todos vindos da Etiópia, onde eram vítimas de fome e de guerra.
A economia sudanesa só se tem mantido à custa de subsídios dos países árabes ricos, da União Europeia e dos Estados Unidos. Em 1983, Nimeiri tentou consolidar a sua base de apoio entre os fundamentalistas islâmicos introduzindo a lei de Sharia, com severas punições sob a forma de açoitamentos, mutilações e enforcamentos. Esta política desencadeou revoltas no sul do Sudão entre os não muçulmanos. O exército de libertação do povo sudanês afundou um barco no Nilo, causando centenas de mortes e bloqueando o tráfico fluvial, atacou instalações estrangeiras e minou estradas e linhas-férreas.
As primeiras eleições democráticas realizaram-se em 1986 e colocaram no poder uma coligação de partidos do Norte que tentou negociar com o Sul, mas viu-se confrontada com gravíssimos problemas políticos e económicos.
A população sudanesa tem suportado uma desastrosa gestão económica do país onde a escassez de alimentos não para de se agravar, assim como um clima de constante tensão e instabilidade política. 20% do PIB é gasto em despesas de guerra e, em 1995, a inflação foi de 85%.
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