suicídio (psicologia)

A palavra suicídio deriva de si (si mesmo) e de caedere (ação de matar), tendo sido utilizada pela primeira vez por Desfontaines, em 1737. Significa morte intencional auto-infligida, ou seja, a pessoa, por desejo e desespero de fugir de uma situação de sofrimento intenso, decide matar-se. Pode considerar-se um homicídio auto-infligido.
Atualmente, inclui-se no suicídio a tentativa de suicídio e os equivalentes suicidários.
Os meios geralmente utilizados vão desde o afogamento, o gás, as armas de fogo, os tóxicos medicamentosos, as armas brancas e o enforcamento, sendo este último o mais utilizado. Pensa-se que o suicídio é mais frequente nos meios rurais e as tentativas de suicídio mais frequentes nos meios urbanos. Em termos de idade, o suicídio é mais frequente nas pessoas idosas e a tentativa de suicídio é mais frequente nos adolescentes. Em relação ao sexo, as mulheres fazem mais tentativas de suicídio, mas os homens fazem mais suicídios. Isto deve-se ao facto de os homens utilizarem métodos mais agressivos e potencialmente letais nas tentativas, tais como armas de fogo ou enforcamento, ao passo que as mulheres tentam o suicídio com métodos menos agressivos e com maior hipótese de serem ineficazes, como tomar remédios ou venenos.
O suicídio está geralmente associado a síndromes depressivos, à melancolia, a uma angústia excessiva de pânico, a impulsividade e ao acesso a produtos tóxicos.
Muitos sujeitos que o fazem sofrem de perturbações narcísicas e de personalidade borderline.
Existem vários sentimentos associados: sentimentos de rejeição ou humilhação (deceções, desgostos ou zangas); abusos sexuais, incesto; vicissitudes escolares ou profissionais; isolamento social; solidão (no caso dos idosos); laços familiares fracos (pais ausentes, falta de comunicação); respostas não adaptadas ao meio (impotência, passividade); sentem-se incompreendidos (no caso dos adolescentes); e sentem-se inúteis (no caso dos idosos).
De uma perspetiva psicodinâmica, o suicídio é um ataque destrutivo ao corpo sexuado onde existe um conflito entre o corpo biológico e o corpo imaginário. Há uma clivagem no sujeito e uma auto-agressividade latente.
Com a ameaça de regressão, a tentativa de suicídio surge como a única solução ativa para escapar à submissão e à anulação sentida. É uma procura da individualização e da homeostase (não sofrer tensões).
Existe um fator a ter em conta que é a recidiva: 10 a 15% dos sujeitos que cometeram uma ou mais tentativas de suicídio acabam por se matar. Cerca de 50% do total de suicidas sofrem de doenças depressivas e por isso pode-se considerar este um grupo de risco para se poder fazer prevenção. Esta depende do reconhecimento exato dos potenciais suicidas. A determinação do risco do suicídio feito pelo médico é muitas vezes o fator mais importante para se decidir se o doente deve ou não ser hospitalizado. A crença generalizada de que aqueles que falam do suicídio não se matam é errada. De facto, cerca de 70% dos suicidas revelam de antemão ideias suicidas.
Em suma, a tentativa de suicídio assinala um sofrimento psíquico insuportável em que o gesto suicida apaga todos os pensamentos, emoções e angústias que torturavam o sujeito. Este "agir" pela passagem ao ato, mostra a impossibilidade de pensar e de refletir sobre os seus conflitos e dificuldades. A tentativa de suicídio é ainda uma tentativa de restaurar o amor-próprio e é mobilizada por sentimentos de omnipotência sobre si mesmo. O ato suicida é sempre um ato de ódio e violência virado contra o próprio.
É de aconselhar uma terapia, mesmo que de curta duração, após a hospitalização (em casos de tentativa de suicídio), de modo a evitar a recidiva. No caso de depressão grave, é necessário um tratamento químico mas que se deve inserir num programa terapêutico mais longo. Aconselham-se psicoterapias cognitivocomportamentais ou psicoterapias analíticas, por exemplo, a psicoterapia de inspiração psicanalítica, a psicanálise ou ainda as psicoterapias familiares.

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