Tarquínio Soberbo e Lúcio Tarquínio Prisco

Os Tarquínios foram segundo a tradição o quinto (616-579 a. C.) e o sétimo (534-510 a. C.) dos reis de Roma. São personagens históricas no limite da lenda, nebulosas e com biografias incertas e confusas. De acordo com os dados que a tradição nos veicula, os seus reinados estão sobrepostos cronologicamente, o que não permite individualizar elementos suficientes para os diferenciar e construir como figuras históricas autónomas. Que a família dos Tarquínios (talvez originária de Cere e não de Tarquínia) tenha governado por duas vezes, é possível, mas a cronologia e os pormenores relativos ao acesso ao trono não são fidedignos. Não se sabe também se a conquista do poder foi conseguida com a ajuda de forças externas, pois há indícios de que um certo Cneu Tarquínio de Roma estivesse envolvido nessa luta pelo poder em aliança com etruscos.
As representações do túmulo "François" em Vulci, por outro lado, dão uma outra versão de acontecimentos divergentes em relação à tradição romana. Fontes posteriores também atribuíam a um e a outro ou a ambos os dois reis iniciativas e obras públicas que (ainda que não tenham sido os seus autores) provam com segurança o desenvolvimento de Roma como cidade-estado sob a influência etrusca (a origem dos Tarquínios) durante o século VI a. C. Recordem-se entre estas obras públicas e outras realizações a drenagem e o arranjo urbanístico do Forum, o Circo Máximo (também drenado, pois sobre ela estava uma confluência pantanosa de ribeiros que vinham das colinas de Roma para o Tibre), os jogos, o triunfo (entrada gloriosa e festiva de vencedores na Urbe), o fasces (faxo, ou fascio, em italiano atual, termo e símbolo usados pelos fascistas de Mussolini) e outras insígnias, o templo da tríade capitolina e os livros sibilinos.
Também ambos os reis estenderam os domínios territoriais de Roma, sobretudo o Soberbo, que impôs a soberania romana em todo o Lázio (região onde se situa Roma). De Prisco faz a tradição um retrato positivo, homem que fez grandes obras e que foi assassinado por Sérvio Túlio, mas do Soberbo, provavelmente filho ou sobrinho daquele, se regista mais a ideia de ter tido as características de um tirano grego, ideia que se pode ter forjado para justificar a sua perseguição por parte de Júnio Bruto. Dizem mesmo algumas histórias que Tarquínio Soberbo, "um tirano infame", foi o último rei de Roma e terá sido expulso pela revolução de 509, depois de ter violado Lucrécia.
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