Tauismo

Lao Tsé, filósofo chinês dos séculos IV-III a. C., foi o criador desta doutrina. O escrito mais antigo que dele fala data de cerca de 100 a. C. Era pouco conhecido no ocidente até há cerca de 100 anos. Até então, o único filósofo chinês conhecido era Confúcio; contudo, desde finais do século XIX o conhecimento acerca de Lao Tsé tem aumentado. A sua doutrina está contida no Livro da Lei do Universo e Sua Virtude. Existem inúmeras traduções deste livro. A linguagem em que está escrito é extremamente simples e o sentido muito vago, facto que é seguramente a causa das inúmeras diferenças existentes entre as diversas versões.
O Tauismo é uma doutrina que representa um esforço para harmonizar a vida do Homem na Terra com a própria existência e a lei do universo. O método do Tauismo para alcançar este ideal é intuitivo e emocional. O tauista retira-se de toda a atividade social e não pratica quaisquer ritos ou cerimónias, vivendo em reclusão voluntária, longe da cidade, rodeado pela natureza e por alguns amigos e criados. Neste contexto, cada qual deveria seguir a sua própria natureza. O verdadeiro tauista afasta-se da própria família nos momentos mais dolorosos e mais alegres, como o casamento e a morte. Desta forma, o Tauismo não é uma religião mas uma espécie de filosofia ou ética social.
Lao Tsé terá pensado na possibilidade de aplicação da sua teoria à vida do estado. Se uma vida em sociedade era possível se cada um seguisse a sua natureza sem lhe impor restrições artificiais, o governo, ao invés de impor restrições, deveria "esvaziar os corações de desejos e as inteligências de invejas, enchendo, por outro lado, os estômagos com o alimento necessário, reduzir as ambições dos súbditos pelo fortalecimento dos ossos e dos músculos". Lao Tsé não viveu o tempo suficiente para ver a aplicação prática da sua doutrina como regra de governo. O Tauismo enquanto regra de governo serviu de base legal aos governos de ditadura do século III a.C. Este resultado prático da doutrina de Lao Tsé foi precisamente o oposto daquele que havia idealizado. Lao Tsé era um anarquista individualista que julgava que os homens seriam felizes se não houvesse governo ativo.
A doutrina de Lao Tsé não se aplicava à ordem social da China; tendo servido sobretudo ao apoio da ditadura e como atitude filosófica da aristocracia chinesa, nunca se tornou popular. Coexistiu, ao lado do Confucionismo e do Budismo, com todo um conjunto de crenças e ritos diversos de região para região. Inspirou até aos nossos dias a criação de obras literárias e outros produtos da civilização e culturas chinesas.
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