Tempietto, Roma

A Capela de S. Pietro in Montorio ergue-se num pátio de um convento, localizado num monte próximo do centro histórico de Roma, assinalando, de acordo com a lenda, o local da crucificação de S. Pedro.
Nos inícios do século XVI, possivelmente por ordem de um cardeal espanhol chamado Carafa que exercia altos cargos no Vaticano, foi erguido um novo edifício, o Tempietto (Templete) em substituição de uma anterior estrutura. O seu projetista foi o arquiteto Donato Bramante, um dos principais arquitetos da época, representante da arquitetura renascentista na sua fase de maior maturidade e coerência. O projeto foi iniciado pouco depois de 1500, numa altura em que Bramante construía o claustro de Santa Maria da Paz e executava, para o Papa Júlio II os estudos para a ambiciosa igreja de S. Pedro.
É um templo circular abobadado, assente numa plataforma de três degraus e circundado por uma colunata em ordem dórica, formada por 16 colunas de travertino reaproveitadas de um edifício anterior. A parede do edifício cilíndrico é articulada e dinamizada por nichos profundos cobertos por conchas que alternam com janelas retangulares, ritmadas por pilastras embebidas.
Um forte entablamento separa o nível inferior (que contém o pórtico) do tambor que forma o segundo piso e que contém janelas para iluminação do espaço interior. A balaustrada sobreposta a este entablamento absorve a transição volumétrica entre o pórtico circular e a cúpula, constituindo um dos elementos fundamentais para a fixação das proporções entre as várias partes da construção.
No interior, um conjunto de capelas semicirculares cobertas por semicúpulas e preenchidas por esculturas alternam com nichos rematados por pilastras. A capela-mor, que contém um altar com uma escultura de S. Pedro sentado no trono situa-se no eixo definido pela entrada no templo. Sob a nave circular existe uma cúpula de reduzido pé-direito, coberta por uma cúpula abatida.
De acordo com um desenho publicado por Serlio (arquiteto e teórico maneirista) no Livro III do seu tratado, este templo deveria inserir-se num pátio circular, envolvido por uma colunata, desenhada por forma a cumprir relações métricas e proporcionais com o Tempietto.
Vários modelos poderão ter inspirado esta obra-prima de Bramante: o teatro marítimo da Villa Adriana, construída nos arredores de Roma pelo imperador Adriano; os batistérios circulares paleocristãos; um estudo teórico feito por Alberti que determinava a forma circular como a mais indicada para os templos.
As suas referências simbólicas e religiosas são inegáveis, apontando para a afirmação de uma centralidade que traduz o carácter autocrático da autoridade papal, de que S. Pedro constitui a referência máxima.
Mais que uma igreja, este edifício foi concebido como um objeto simbólico, ou seja, um monumento rememorativo e celebrativo, surgindo como um dos paradigmas da aplicação da estrutura gramatical das ordens clássicas e da perfeição das proporções
O Tempietto de Bramante constitui uma das mais importantes construções renascentistas, contribuindo para o desenvolvimento artístico de Roma que rapidamente se transforma no centro da arte italiana quinhentista. Foi utilizado como paradigma da arquitetura clássica e como protótipo para muitas construções futuras. A projeção e divulgação deste edifício teve como base os escritos teóricos de Vasari e os tratados de Serlio e Palladio.
Mais tarde foram introduzidas algumas alterações à estrutura projetada por Bramante de entre as quais se destaca a construção do lanternim de remate da cúpula, o revestimento de chumbo da cobertura e abertura das quatro janelas do piso inferior.
No século XIX foi alvo de importantes campanhas de restauro, a primeira foi conduzida por C. Fea, em 1804, e outra orientada por G. Valadier desde 1825. No século XX, os restauros foram menos radicais, procurando respeitar ao máximo a integridade e autenticidade do edifício renascentista.
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