Templo de Karnak

O Templo de Karnak, construído no Egito durante o Império Novo (1580-1085 a. C.) na margem direita do Nilo, é um monumental conjunto de edifícios que foram construídos de 1530 a. C. até à época romana, com um comprimento de 365 metros. O templo situa-se à entrada de um recinto murado, onde se encontram outros edifícios, entre os quais se destacam o templo de Khonsu e o Pavilhão de Sesóstris I.
O pequeno Templo de Khonsu, do Império Novo, apresenta todos os elementos de um templo egípcio tradicional, onde o seu eixo principal é uma área rodeada de esfinges e o pilão, pórtico monumental ladeado por duas torres, é o elemento mais destacado.
O Pavilhão de Sesóstris I (1970-1925 a. C., reconstruído em 1932 pelo arqueólogo Chevrier) é o monumento mais antigo deste conjunto edificado na XII dinastia e destruído por Amenófis IV ou Akenaton (XVIII dinastia); este terá usado as pedras do referido Pavilhão de Sesóstris I para o alicerce do terceiro pilone do Templo de Ámon.
Na última grandiosa fase desta civilização, Tebas, no Sul do Egito, era a capital imperial onde se venerava sobre todos o deus Ámon, identificado com Rá. O faraó, tido como seu filho, estava incumbido de manter o equilíbrio na terra e de edificar majestosas construções que manifestassem, simultaneamente, a comunhão entre o mundo terrestre e celestial, bem como a riqueza e o poder dos governantes do Egito.
A história de Karnak está associada aos faraós Tutmósis III (1505-1484 a. C.), Amenófis III (1408-1372 a. C.) e Ramsés II (1301-1235 a. C.), que enriqueceram o seu espólio com tributos dos povos conquistados nas vitoriosas campanhas militares.
Karnak foi alvo de constantes construções, destruições e reconstruções, pois cada faraó aqui quis deixar o seu testemunho, não hesitando em arrasar ou transformar o património legado pelos seus antecessores.
Esta construção foi edificada a partir de elementos arquitetónicos que contêm uma simbologia mágica e religiosa, associada ao deus Rá. Foram usados pilones, dois maciços trapezoidais separados por uma porta que marcam a entrada na área sagrada e que, segundo a mitologia egípcia, simbolizam as duas montanhas de onde surge o sol diariamente. Atualmente em Karnak apenas podemos encontrar o que restou de 10 pilones. Os obeliscos eram monólitos gravados com hieróglifos rematados por uma pirâmide de ouro (piramidon), construídos aos pares para serem colocados em frente dos pilones, para captarem os primeiros raios solares e assim renovarem a energia na terra. Só se mantém de pé um obelisco de pedra rosa; os outros foram levados por povos conquistadores ou foram destruídos. No interior do Templo de Karnak ainda se preservam os colossos, gigantescas estátuas que encarnavam o génio do faraó.
A construção mais conhecida deste complexo é a sala hipóstila, edificada no tempo dos faraós Séti I (1312-1298 a. C.) e Ramsés II, a partir da nave central, iniciada no reinado de Amenófis III. Esta sala, com 102 metros de comprimento e 53 metros de profundidade, era o lugar onde se preparavam as oferendas. Tinha 134 colunas dispostas em 16 filas, com um corredor central de 24 metros de altura, sustentado por colunas que chegavam a ter 3,57 metros de diâmetro. Esta sala estava localizada no caminho das procissões de sacerdotes que conduziam a barca de Ámon, quando a éfigie deste Deus viajava até um templo nas vizinhanças de Karnak. No centro deste espaço ficava a nave de Amenófis, mais elevada, com uma dúzia de colunas de 23 metros de altura. O teto seria sustentado por arquitraves com 70 toneladas. As janelas com grades de pedra alinhadas no cimo da nave central ligavam os dois níveis de tetos, possibilitando a entrada de um pouco de ar na sala.
Como referenciar: Porto Editora – Templo de Karnak na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-11-27 18:28:31]. Disponível em