Tensões Étnicas

As descolonizações gradualmente empreendidas pelas potências ocidentais causaram em muitos dos países, sobretudo africanos, um despoletar de conflitos étnicos devidos à falta de estruturas nacionais próprias, ao elevado número de povos e à inconformidade com os limites territoriais. Tal é o caso da guerra do Biafra (África Ocidental), iniciada em 1967 e em que a província a Sudoeste da Nigéria (habitada pelo povo ibo e a mais próspera do país) se separou do resto da nação, auto-intitulando-se Biafra. A longa guerra, que durou três anos, confrontou os ibos com as etnias haúça e ioruba, tendo o povo ibo, comandado pelo general Ojukwu, sido arrasado pelo governo nigeriano. A intervenção e ajuda de potências internacionais interessadas no separatismo ditaram o prolongamento deste conflito entre etnias economicamente debilitadas. Deu-se igualmente o caso de combates entre os povos africanos autóctones e os colonizadores brancos, como aconteceu no Uganda e com a revolta da seita queniana dos Mau-Mau, em 1949. Este grupo procurou exterminar a população europeia que ocupava o país, provocando uma guerra com a Grã-Bretanha que se prolongou até 1960. No Chade (África Central) estalou em 1965 uma guerra civil entre o Norte e o Sul, uma vez que estas duas partes tinham características étnicas, culturais, religiosas, geográficas e económicas muito diversas. O coronel Kaddafi, líder da Líbia, tinha pretensões anexionistas e apoiou o líder do Governo de União Nacional de Transição (GUNT), Goukouni Oueddeï, tendo em janeiro de 1981 anunciado que o Chade fazia a partir dessa data parte integrante da Líbia. Passados dez meses a França, apoiante de Hissiène Habré, obrigou à retirada das tropas libanesas, originando-se um complexo conflito em que nem a Líbia nem a França combateriam abertamente, senão através das fações que apoiavam. A luta apenas terminou em 1990, quando Idriss Deby, rebelde apoiado pela Líbia, venceu Habré. De mencionar é igualmente o apartheid, regime de segregação racial dos negros imposto a partir de 1948 na África do Sul, que foi alvo de constante crítica internacional e de luta por parte da população negra até ao fim, marcado pela eleição presidencial de Nelson Mandela em 1994. Na América do Norte foram durante o século XX (particularmente entre os anos 50 e 60) muito agudas as tensões entre índios, alguns dos quais se agruparam e formaram o chamado Red Power e brancos, tendo morrido índios durante as manifestações e tomado posse da ilha de Alcatraz, em frente a São Francisco. Tal como os conflitos, estes mais graves, entre negros e brancos, também os índios pretendiam direitos iguais à população branca, uma vez eram completamente injustiçados e segregados. As tensões originadas por negros foram inicialmente pacíficas, dirigidas por Martin Luther King. Contudo, com o assassínio deste, a ação de grupos como o Ku-Klux-Klan gerou uma radicalização que levou ao estalar de violentos confrontos e represálias mútuas que causaram um sem número de mortos. De igual forma, também a invasão do Tibete pelo exército popular chinês em 1959 causou uma grande tensão étnica, uma vez que a China pretendia terminar com o tradicional e benquisto isolamento cultural, religioso e linguístico, causando uma sublevação que, no entanto, foi duramente reprimida com humilhações, eliminação da religião, dos ídolos e das formas de vida e culturais, além da confiscação de propriedades, tendo sido o Dalai Lama obrigado a fugir para a Índia nesse mesmo ano.
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