teorias do conflito

Grande parte das exposições acerca do funcionamento e evolução das sociedades globais, que a sociologia oitocentista criou, assentam na ideia da existência de um conflito permanente, que funciona como uma espécie de promotor do desenvolvimento. Desde logo, com o chamado darwinismo social, de Herbert Spencer, criou-se a ideia de que as sociedades mais avançadas são aquelas que tiveram, de facto, condições para se adaptarem, o que lhes permitiu o alcance de tal condição, sendo que muitas outras se extinguiram pela incapacidade de se adaptarem; e, por outro lado, através do designado materialismo histórico, de Marx, criou-se a ideia de que a história das sociedades se repete num constante conflito entre classes, entre detentores e não detentores de meios de produção. Para ele, a sociedade estaria reduzida a relações materiais de produção, em que os detentores dos meios de produção eram também os detentores do poder político, que cristalizavam e legitimavam exclusivamente em favor próprio; o processo revolucionário, de certa forma ilusório, tenderia apenas a mudar aqueles que comandavam a sociedade, porque, assim que outro grupo social adquirisse os meios de produção, apropriar-se-ia de imediato de todas as formas de poder. Na perspetiva marxista, o conflito apenas desembocaria num processo diferente quando as classes trabalhadoras - o proletariado - impusessem uma ditadura e alcançassem o poder, coletivizando os meios de produção e abolindo a propriedade privada.
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