Tera

Denominação de um grupo de ilhas vulcânicas do mar Egeu, hoje denominadas Santorini (designação escolhida pelos venezianos no século XIII). Os gregos continuam a designá-las por Tera, o nome da principal e maior ilha do grupo.
Nos seus primórdios a ilha de Tera foi colonizada pelos minoicos da ilha de Creta, recebendo a sua influência. Os destinos de Tera mudaram completamente após uma violentíssima erupção vulcânica e um sismo que a reduziu a cinzas no século XVII a. C. Esta catástrofe teve consequências nefastas para o mundo minoico, pois constituiu uma perda irreparável. Muitas das cidades de Creta foram afetadas pelo sismo.
Permaneceu deserta ao longo de vários anos tendo sido reocupada pelos dóricos no fim do segundo milénio a. C.: esta época caracteriza-se pela existência de um regime monárquico, de uma organização administrativa e de cultos a Zeus e a Apolo Delfínio. A população vivia da agricultura, com destaque para a produção de vinho e o fabrico de tecidos e vasos cerâmicos ornados num estilo geométrico. Manteve fortes relações comerciais e culturais com Creta, pelo menos até ao século VII.
Como se tratou de uma ilha colonizada pelos minoicos, a vida cultural e artística destes acabou por criar raízes em Tera. Este facto é confirmado pela estruturas descobertas em trabalhos arqueológicos que revelaram uma arte muito similar à da Creta minoica, especialmente aquela que encontramos em Cnossos.
No princípio da Guerra do Peloponeso, Tera encontrava-se também sob influência de Esparta, mas em 430 a. C. já pagava um tributo à liga ática, tomando o partido de Atenas. Nada mais se sabe da ilha até ao fim da era ptolomaica. Em 260 a. C. deu-se início à ocupação estratégica da ilha e à sua transformação numa base naval para controlo de todo o arquipélago do mar Egeu. Esta ocupação prolongou-se até à morte de Ptolomeu Filometor, em 146 a. C.
Pouco depois da queda do domínio ptolomaico a ilha foi conquistada pelos Romanos tendo sido incluída na província imperial da Ásia. Os vários imperadores romanos quiseram deixar a sua marca na ilha e por isso se veem alguns monumentos onoríficos. A cidade foi objeto de uma reedificação em 149, por iniciativa de um rico cidadão do Éfeso durante o reinado de Antonino Pio.
Depois da IV cruzada (1204) a ilha foi oferecida ao veneziano Jacomo Barozzi de S. Moisés, que a governou até 1336. Depois fez parte do ducado de Nasso até à conquista turca.
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