terapia familiar

A terapia familiar é toda a terapia que se centra mais no sistema da família do que nos elementos que a compõem. Em psicologia o modo de abordagem mais tradicional é o de perceber a pessoa como doente sendo a família apenas um pano de fundo. Nesta nova terapia a família ocupa o plano principal passando os membros individuais a um plano secundário.
É difícil traçar o seu percurso histórico, contudo a maioria dos autores apontam como o primeiro trabalho clínico dentro deste âmbito a publicação do médico francês Jean Pierre Falret (Folie à deux, 1877). Apesar deste acontecimento histórico, a terapia familiar tem as suas raízes nos trabalhos desenvolvidos pelo psicanalista Sigmund Freud, pelo psiquiatra austríaco Alfred Adler, fundador da psicologia individual e pelo psiquiatra Harry Stack Sullivan dos Estados Unidos.
Salvador Minuchin, psiquiatra americano e professor de pedopsiquiatria foi um dos que mais contribuiu para o desenvolvimento deste tipo de terapia com as suas obras Família e Terapia Familiar, 1979 (Family and Family Therapy, 1974) e Técnicas da Terapia Familiar, 1981 (Family Therapy Techniques, 1981). Na orientação familiar acredita-se que uma parte da família não pode ser compreendida estando isolada dos seus restantes membros e que não se pode perceber o funcionamento familiar conhecendo apenas o funcionamento de cada uma das suas partes.
Neste tipo de terapia clínica podem apontar-se quatro abordagens distintas e que defendem diferentes tipos de atuação com a família.
Uma primeira abordagem assenta numa terapia familiar conjunta em que o terapeuta se centra nos padrões de relacionamento entre os membros da família. Uma segunda abordagem apresenta uma terapia de impacto múltiplo que defende que os diversos membros de uma equipa médica (vários terapeutas) devem trabalhar com cada um dos membros individuais e fazer variadas combinações familiares como, por exemplo, atender conjuntamente o pai e a mãe ou a mãe e os filhos. Numa terceira abordagem denominada terapia de rede ou entrelaçamento a terapia recai não só sobre a família como também noutros elementos que têm interesse e lhes são significativos (vizinhos, amigos, etc.). Por último, uma quarta abordagem defende uma terapia familiar múltipla. Nesta abordagem um certo número de famílias é visto ao mesmo tempo (utiliza-se mais este método quando a família tem um elemento alcoólico).
De todas as técnicas defendidas por esta terapia, a escultura familiar é a mais utilizada. Ela permite a expressão de ideias e de emoções através da utilização do corpo e do movimento. Esta técnica propõem recriar simbolicamente, no espaço, os estados de espírito e as relações emocionais, através da representação das relações entre os membros familiares. Uma escultura familiar pode revelar a autoimagem ideal da família por meio da representação de desejos e é uma forma eficaz de envolver as crianças na terapia.
De todos os registos clínicos (formas de registar os dados fornecidos pelas famílias) o mais usual é o genograma que consiste num diagrama visual da árvore genealógica familiar, onde também se registam os acontecimentos importantes da história familiar tal como, casamentos e divórcios, casos de toxicodependência ou de suicídio. É um registo gráfico da composição da família que deve conter pelo menos três gerações seguidas fornecendo, deste modo, um panorama rápido da posição dos indivíduos, do sistema de relacionamento entre eles e dos principais problemas familiares existentes.
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