teste do desenho da família

Este teste surgiu em 1931 com Appel e era usado no estudo da personalidade de crianças. Era-lhes solicitado que desenhassem uma casa, uma família e animais. Mais tarde, em 1949, outro clínico solicitava à criança que se desenhasse a si própria, à sua família e à sua casa.
Em 1952, Porot propôs uma sistematização do desenho da família onde enfatizava três questões na sua análise: a composição da família, a valorização ou desvalorização dos seus membros e a situação e posição do sujeito na mesma. Neste mesmo ano, Hulse utiliza uma abordagem gestáltica, em que analisa o conceito geral do desenho para determinar conflitos familiares e identificar conflitos de desenvolvimento.
Mais tarde, em 1970, Shearn e Russell deixaram de solicitar o desenho da própria família para pedirem apenas o desenho de uma família, e conseguiram identificar indícios de aspetos da dinâmica familiar. Este teste foi considerado como coadjuvante no diagnóstico de transtornos de conduta e pode igualmente acrescentar mais pormenores na avaliação e na descoberta da relação com os pais e irmãos. Esta técnica também é usada em adultos e nestes casos permite a projeção das perceções e sentimentos infantis sobre a própria família e das suas relações com a mesma.
Existem vários fatores a ter em conta no desenho: a análise de cada figura desenhada, a primeira pessoa desenhada, como sendo a de maior valência para o sujeito, omissões, figuras mais representadas, etc.
Está indicado no estudo das relações familiares em especial, em termos de uma compreensão dinâmica (identificação de conflitos familiares, de atitudes e sentimentos do sujeito face à sua família, etc.). É igualmente uma técnica auxiliar no processo de diagnóstico e para formulação de indicações terapêuticas.
Alguns autores, como Corman, ao estudar um desenho de família, focalizam-se em questões como o narcisismo, o complexo de Édipo e a rivalidade entre irmãos.
Concluindo, esta técnica é um instrumento que proporciona informações úteis para a compreensão da dinâmica da família, o que justifica a sua inclusão nas baterias psicodiagnósticas.

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