The Proms, no Royal Albert Hall

The Proms, uma abreviatura da designação Mr. Robert Newman's Promenade Concerts, começou por ser uma série de concertos concebidos pelo empresário Robert Newman, gerente do então recém-construído Queen's Hall, em Londres. Para a concretização deste projeto, Newman ofereceu ao maestro Henry Wood a responsabilidade de conduzir a orquestra permanente do Queen's Hall e a primeira época das séries de concertos que se seguiriam.
Com uma duração inicial de cerca de três horas e com um ambiente informal, encorajado pelo baixo preço dos bilhetes, estes concertos tinham uma primeira parte de temas mais sérios e uma segunda parte mais curta de extratos de óperas populares, a Grand Fantasia, que era a grande atração dos Proms. Nesses tempos era permitido comer, beber e fumar durante os concertos, embora fosse fortemente desencorajado o riscar de fósforos durante os números vocais. Os Proms, cujo primeiro concerto teve lugar no dia 10 de agosto de 1895, tinham por objetivo cativar uma audiência vasta através de uma série de programas mais populares, com arranjos de orquestra menos formais e a preços mais acessíveis. Começando pela música popular e elevando progressivamente o nível de qualidade, Newman pretendia formar um público para a música clássica e moderna. Estabeleceu-se a tradição das segundas-feiras de Wagner, das quintas-feiras de Beethoven e progressivamente foram lançados músicos jovens e talentosos, o que trouxe a Newman alguma impopularidade inicial. Em 1920, muitos dos principais compositores da época, como Richard Strauss, Debussy, Rachmaninov, Ravel e Vaughan Williams já tinham sido introduzidos no programa dos Proms por Henry Wood. O eclodir da Primeira Guerra Mundial e a consequente rejeição de tudo o que era alemão não impediram Newman e Wood de afirmar que "os grandes exemplos da Música e da Arte são propriedade do mundo e inatingíveis pelos preconceitos do momento". Tendo-se apoderado da hipoteca do teatro, dadas as dificuldades financeiras de Newman, os editores Chappell & Co. adquiriram também a posse da orquestra em 1915, mas não conseguiram evitar o défice financeiro. Em 1927, a BBC assumiu a propriedade dos Proms e durante três anos os concertos foram conduzidos por "Sir Henry Wood and his Symphony Orchestra", até que a Orquestra Sinfónica da BBC foi constituída em 1930. Apenas três dias após o início da Segunda Guerra Mundial, a BBC manifestou a sua impossibilidade de continuar a apoiar os Proms. Com patronos privados e a sua habitual determinação, Henry Wood conseguiu financiar as épocas de 1940 e 1941 e substituiu a Orquestra Sinfónica da BBC pela London Symphony Orchestra. Em 1941, um bombardeamento da Luftwaffe destruiu o Queen's Hall, o que levou os Proms a continuarem na época seguinte no Royal Albert Hall, de novo apoiados pela BBC.
Henry Wood morreu em 1944, ano dos 50 anos dos Proms, e a partir de então os concertos alternaram entre a Orquestra Sinfónica da BBC, conduzida por Malcom Sargent, e outras orquestras nacionais. A identidade dos Proms sofreu mudanças a partir de 1959, com a nova direção da BBC, e o repertório habitual de orquestra foi reduzido para admitir um estilo de programação experimental que incluía correntes musicais de todo o Mundo, catapultando os Proms para o estatuto de grande festival internacional. Os anos 60 trouxeram ainda a inovação da introdução de óperas completas e concertos por ensembles de culturas não ocidentais, como a Índia, Tailândia ou o Japão, entre outros, para além de música para steel band e percussão, jazz, gospel, música eletroacústica e concertos especialmente concebidos para crianças. Nos anos 70 foram introduzidos os Late Night Concerts e as Pre-Prom Talks e em 1996 séries paralelas de concertos de música de câmara, os Proms Chamber Music Concerts.
No seguimento da época dos 100 Proms, em 1994, o festival atinge hoje, anualmente, uma média de 70 concertos principais, incluindo eventos especiais como o Coral Day, os 1000 Years of Music in a Day, repertórios de musicais e bandas sonoras de filmes, e música dos Beatles e Bob Marley. Apesar de todas estas evoluções, o conceito inicial definido por Henry Wood continua vivo: apresentar um programa muito diversificado de música, interpretado segundo padrões de qualidade elevados para uma vasta audiência. E a passeata (promenade) até ao Royal Albert Hall's Arena continua a sua grande tradição de proporcionar momentos musicais únicos, numa atmosfera muito informal.
Como referenciar: The Proms, no Royal Albert Hall in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-18 06:37:46]. Disponível na Internet: