Tiradentes

Mártir pela Independência do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, nasceu em 1746, na Fazenda do Pombal, entre São José (atual Tiradentes) e São João del Rei, em Minas Gerais (Brasil).
Filho de pai português e de mãe brasileira, ficou órfão aos 11 anos. Acolhido pelo seu padrinho, que era cirurgião, aprendeu com ele alguns conhecimentos práticos de medicina e odontologia. Começou por trabalhar como mascate, depois, como mineiro, em seguida, como sócio de uma botica de assistência à pobreza, em Vila Rica, e finalmente como dentista, daí o seu cognome Tiradentes.
Incorporou o Regimento dos Dragões de Minas Gerais e, em 1781, foi designado pela rainha D. Maria I, comandante da patrulha do Caminho Novo, isto é, da estrada pela qual eram transportados o ouro e os diamantes extraídos da Capitania de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Descontente por não ser promovido na carreira militar, Tiradentes solicitou licença da cavalaria, em 1787. Nessa altura, começou a surgir um clima de revolta contra a espoliação da metrópole das riquezas minerais, pois o contraste da riqueza em Portugal e da pobreza da colónia era bastante acentuado. Então, importantes membros da sociedade económica e cultural de Minas Gerais, influenciados pelas ideias do Iluminismo e incitados pela independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa (1789), reuniram-se e planearam um movimento, conhecido por Inconfidência Mineira, contra o poderio português. Numa reunião conspiratória, a 26 de dezembro de 1788, na casa de Francisco de Paula Freire de Andrade, tenente-coronel responsável pelo Regimento dos Dragões, juntaram-se individualidades de várias posições para articularem as ideias do movimento: ideólogos, como José Álvares Maciel; revolucionários, como Tiradentes; mineradores e magnatas endividados, como Alvarenga Peixoto e o padre Oliveira Rolim, traficante de diamantes e escravos.
Em março de 1789, foi denunciada a conspiração pelo coronel Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro. Durante o processo, denominado Devassa, que durou três anos, Tiradentes foi ouvido quatro vezes e confrontado com os seus denunciadores e corréus. Assumindo a culpa, foi o único que não obteve a clemência da rainha D. Maria I, sendo portanto condenado à morte.
A 21 de abril de 1792, Tiradentes foi enforcado no Largo da Lampadosa (atual Praça Tiradentes), no Rio de Janeiro. O seu corpo foi esquartejado: a cabeça foi colocada num poste, em Vila Rica, as pernas, em postes na estrada das minas e os braços, expostos em Barbacena. Com o seu sangue escreveu-se a certidão que declarava cumprida a sentença e infame a sua memória.
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