Toca

A Toca surge no romance Os Maias, de Eça de Queirós, como o lugar dos encontros amorosos de Carlos e Maria Eduarda, nos Olivais. Propriedade de Craft, é arrendada por Carlos para aí residir a sua amada e preservar a intimidade da sua relação. Diz o narrador que "Carlos lembrou se logo da bonita casa do Craft, nos Olivais - como já noutra ocasião em que ela mostrara desejos de ir para o campo. Justamente, nesses últimos tempos Craft voltara a falar, e mais decidido, no antigo plano de vender a quinta, e desfazer se das suas coleções. Que deliciosa vivenda para ela, artística e campestre, condizendo tão bem com os seus gostos!" (Cap. XII)
Há quem considere que Eça de Queirós se inspirou na quinta e palácio do Contador-Mor, onde funciona atualmente a Bedeteca (biblioteca de banda desenhada) dos Olivais, em Lisboa.
O nome de Toca é atribuído por Carlos com a aprovação de Maria Eduarda que o "achou originalíssimo". Simbolicamente, "Toca" pode expressar o lado instintivo e animal da relação entre Carlos e Maria Eduarda na medida em que o nome atribuído lembra a habitação ou esconderijo de muitos animais.
Este espaço, desde o início, ganha uma grande importância pois a decoração exótica surge como pressagística do desfecho trágico. Aí aparecem alusões à infidelidade de Vénus, a um "tabernáculo profanado", à "paixão trágica do tempo de Lucrécia ou de Romeu", a "uma cabeça degolada, lívida, gelada no seu sangue, dentro de um prato de cobre" e a dois olhos "redondos e agoirentos" que "uma enorme coruja empalhada fixava no leito de amor". Os "amarelos excessivos", que não agradaram a Maria Eduarda, pressagiam, também, as sensações fortes mas fatais.
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