Tomás Alcaide

Tenor português, Tomás de Aquino Carmelo Alcaide nasceu a 16 de fevereiro de 1901, em Estremoz. Após a conclusão dos estudos no Colégio Militar, fez os exames preparatórios da Escola Politécnica, tendo ingressado no curso de Medicina, o qual frequentou durante um ano. Por essa altura, em pequenas tertúlias de carácter íntimo revela a sua voz de belo timbre e, a conselho de amigos e de alguns críticos, decide dedicar-se exclusivamente à carreira lírica.
Tomás Alcaide teve lições com os professores de canto Alberto Sarti e Madame Mantelli tendo-se realizado a sua estreia como amador num clube de Lisboa, cantando "La Bohème" e, posteriormente, já profissionalizado, interpretou o "Rigoletto", no Teatro Nacional de S. Carlos, numa homenagem ao barítono Luís Macieira.
Em 1925, Tomás Alcaide partiu para Milão onde desenvolveu a sua técnica e arte vocal, aperfeiçoando-se com o professor Ferdinado Ferrara. Nesse mesmo ano, a 5 de dezembro estreou-se no teatro milanês de Carcano, na ópera "Mignon". Nos anos seguintes, Tomás Alcaide trabalhou, ininterruptamente, em quase todos os teatros de Itália tendo sido escolhido, em 1930, para a estreia mundial de "As Preciosas Ridículas", de F. Lattuada, interpretando o papel de Mascarille, no Reale de Roma. Porteriormente, é contratado para o mais reputado teatro de ópera italiano de então, o Scala de Milão.
Apreciado pelos seus inegáveis dotes naturais, (os "pianíssimos" eram levados ao extremo) mas também pelo seu virtuosismo técnico e escola, Tomás Alcaide figurou nos mais importantes cartazes dos teatros líricos da Europa e da América - Roma, Nápoles, Veneza, Paris, Viena, Zurique, Helsínquia, Boston, Chicago, Nova Iorque - um reportório vasto, que inclui as suas interpretações apreciadas, como a "Manon", "Rigoletto", "Pescador de Pérolas", "Werther" e "Romeu e Julieta", entre outras. Em 1948, o tenor retirou-se definitivamente dos palcos.
Em 1962, depois de se reformar da Emissora Nacional, Tomás Alcaide dirigiu a Escola de Canto do Teatro da Trindade, acumulando os cargos de mestre de canto e encenador da Companhia Portuguesa de Ópera.
Em 1961, o cantor lírico publicou uma autobiografia que intitulou Um Cantor no Palco e na Vida. Tomás Alcaide morreu a 9 de novembro de 1967, em Lisboa. Na véspera da morte trabalhava ainda nas maquetas de "Manon", ópera que intentava levar à cena.
Em 1997, a terra natal do cantor lírico, Estremoz criou o I Concurso Internacional de Canto Tomás Alcaide, uma iniciativa da Associação Etnográfica e Cultural de Estremoz, com o objetivo de homenagear o tenor e de projetar os novos valores na área do canto, em parceria com o Orfeão Tomás Alcaide e contando com o apoio da Câmara Municipal local.
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