Tonicha

Cantora portuguesa, de nome completo Antónia de Jesus Montes Tonicha, nasceu a 8 de março de 1946, em Beja.
Iniciou-se no palco da Sociedade Capricho Bejense ainda muito jovem. Prestou provas na Emissora Nacional, para a qual foi contratada e iniciou um conjunto de colaborações em vários programas, entre os quais os "Serões para Trabalhadores".
Com apenas 16 anos, fez a sua estreia na televisão e recebeu aulas de canto da atriz Corina Freire. A sua carreira profissional começou em 1964, aquando da assinatura do seu primeiro contrato discográfico, com a editora RCA. Estreou-se com o disco "Luar Para Esta Noite". Em 1966, conquistou o primeiro lugar no Festival da Figueira da Foz com a canção "Boca de Amora". No ano seguinte repetiu o feito, agora com o tema "Tua Canção, Avozinha". A sua afirmação no panorama musical português ficou patente nos vários prémios que recebeu, de entre os quais se destacaram o Óscar da Imprensa para a melhor cançonetista do ano, o troféu A Voz do Ano, em Moçambique, e o Microfone de Ouro do Rádio Clube Português. Foi ainda eleita a cantora mais popular pela revista Clube das Donas de Casa. Gravou dois discos com o Quarteto 1111, intitulados La Mansarde e O Caminheiro. Em 1968, fez a sua primeira participação no Festival RTP da Canção terminando em segundo lugar. Trabalhou também no cinema, onde se estreou no filme Sarilhos de Fraldas, ao lado de António Calvário e Madalena Iglésias.
Em finais da década de 60 casou-se com João Viegas, antigo apresentador de programas de folclore na RTP. Este momento terá determinado uma inflexão na sua carreira, no sentido da música de cariz tradicional, como são exemplos as canções "Senhora do Almortão", "Moda das Carreiras" e "Pezinho do Pico". Entre os seus maiores êxitos da época contam-se "O Resineiro" e "O Vira dos Malmequeres".
Em 1970 mudou-se para a editora Zip (de Fialho Gouveia, Raul Solnado e Carlos Cruz), e foi através desta etiqueta que participou, pela segunda vez, no Festival RTP da Canção, em 1971, com o tema "Menina", escrito e musicado por José Carlos Ary dos Santos e Nuno Nazareth Fernandes. Tendo inicialmente o título "Menina do Alto da Serra", o tema foi escolhido para representar Portugal no Festival da Eurovisão, realizado em Dublin (Irlanda), no qual obteve o 8.º lugar. Seguiram-se versões francesa, italiana, espanhola e inglesa dessa mesma canção, e participações em festivais no Brasil, na Grécia e na Jugoslávia. A canção "Menina" originou a vontade de gravar um álbum intitulado Mulher, com canções de Joaquim Pessoa e Carlos Mendes, cujo resultado só viu a luz do dia em 1980, sob o título Ela Por Ela.
Em 1972 gravou versões portuguesas de quatro canções de Patxi Andion. Quatro anos mais tarde, participou pela terceira vez no Festival RTP da Canção com o tema "Canção da Amizade". Em 1978 iniciou uma extensa digressão por dezenas de localidades de norte a sul do país, antecedendo a gravação de dois dos maiores êxitos da sua carreira: "Zumba na Caneca" e "Zé que Fumas". Entre as suas digressões junto das comunidades portuguesas radicadas no exterior destacou-se, em setembro de 1981, a participação como convidada no Festival da Canção Emigrante das Américas, que se realizou em Rhode Island, nos Estados Unidos da América.
Em 1987, editou um álbum de temas religiosos, intitulado Fátima, Altar do Mundo. Na década de 90 a sua carreira manteve-se discreta.
Em 1991, a cantora lançou uma coletânea (Os maiores sucessos) e um disco de originais(Regresso). Todavia, Tonicha não foi capaz de revitalizar a sua carreira, mantendo-se afastada do mediatismo. A década de 90 marcou um certo desaparecimento de Tonicha. A cantora regressou em 2004 com Canções D' Aquém e D'Além.
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