Tony Cragg

Escultor inglês,Tony Cragg nasceu em 1949, em Liverpool, Inglaterra. O seu trabalho tem a raiz no estudo científico. Frequentou uma escola secundária técnica, que deixou para ir trabalhar num laboratório de bioquímica da Natural Rubber Producers Research Association.

Aproveitando períodos de inatividade no laboratório, Cragg começou a desenhar e criar pequenos objetos. Inscreveu-se num curso de um ano no Gloucester College of Art para testar o seu interesse no campo da arte e fazer dele carreira. O seu interesse confirmou-se e no ano seguinte entrou para a Wimbledon School of Art (1968-72), onde concluiu o curso de Pintura e depois no Royal College of Art, onde recebeu o seu M. A. em Escultura (1973-1977). Em 1978 casou-se com uma cidadã alemã e mudou-se para Wuppertal, Alemanha.

Durante a década de 1970, Cragg começou a colecionar objetos que encontrava na rua, normalmente materiais em plástico. Escolheu-os, ordenou-os, classificou-os e amontoou-os por cores e tamanho. Isto levou-o ao seu primeiro trabalho que apresentou numa das mais importantes galerias londrinas numa exposição intitulada New Stones - Newton's Stones, em 1979. Esta instalação consistia em fragmentos de plástico encontrados organizados por cores. Este trabalho levou Cragg ao reconhecimento internacional.

Em meados da década de 1980, o trabalho de Cragg mudou da colagem de materiais encontrados para explorações em trabalhos mais arquiteturais. Como exemplo, o trabalho intitulado Minster (1987), feito de borracha, pedra, madeira e metal, que sugere a ideia de uma cidade.

No trabalho subsequente, apesar de serem ainda materiais plásticos encontrados, Cragg usou os fragmentos de uma forma cada vez mais descritiva. Por exemplo, em 8 Flags (1980) - um painel com oito bandeiras de diferentes países - ícones planos transformaram-se em tridimensionais. A utilização do plástico é ela própria uma forma de resistência artística, combinada com a presença do comentário político.

Os "modelos pensados" de Tony Cragg são formas visuais que cria para responder a ideias intangíveis baseadas na presença de materiais que se encontram à sua volta. Nunca esquecendo o poder do desconhecido, para Cragg o ato de fazer arte leva a mais banal das imagens para um mundo de investigação intelectual.

Em meados da década de 1980, Cragg começou a explorar materiais mais tradicionais da escultura como o bronze, ferro, gesso, pedra e vidro ou mais tarde nas esculturas de cerâmica. Estes trabalhos empregam materiais e processos mais complexos e fisicamente exigentes do que as instalações de objetos encontrados. Cragg explorou sempre a correlação entre formas e estruturas humanas e as mesmas, naturais, nas quais são baseadas.

O seu trabalho varia da natureza imitando a cultura à cultura imitando a natureza. Nos trabalhos em plástico, por exemplo, formas naturais como folhas, luas e animais equilibram com objetos culturais como cidades, janelas e paletas.

No processo da mudança de temas e de materiais, Cragg resistiu à tendência de reduzir o trabalho de um artista a apenas um tipo de material ou a uma ideia. A obra de Cragg celebra imagens para depois as pôr de parte num esforço para desafiar tanto o artista como o observador a sempre diferentes "dinâmicas formais".

Tony Cragg procurou sempre um equivalente visual para as coisas que não existem. Ele compreende que modelos matemáticos como os definidos pela ciência moderna nem sempre são capazes de descrever completamente o mundo da experiência e do pensamento. Na procura de imagens que expliquem novas coisas de novas maneiras, Cragg conseguiu fazer a ponte entre as ciências abstratas e o mundo da imaginação cultural humana.

Em 1988, Cragg representou a Inglaterra na Bienal de Veneza e recebeu o prestigiante Turner Prize oferecido pela Tate Gallery, Londres, pela sua ilustre contribuição para a arte britânica.

Das suas exposições individuais destacam-se Tony Cragg, Drawings, Musée des Beaux-Arts, Nantes, França; Stadtgalerie, Sarbruque, Alemanha; Kunstmuseum St. Gallen, St. Gallen, Suíça (1994-1995), Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madrid, Espanha (1995), Musée National d'Art Moderne - Centre Georges Pompidou, Paris, França (1996), National Museum of Contemporary Art, Seul, Coreia (1997), A New Thing Breathing: Recent Work by Tony Cragg, Tate Gallery Liverpool, Liverpool, Inglaterra (2000).

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