Torre das Cabaças

A fúria iconoclasta de demolições que se abateu sobre as muralhas medievais de Santarém ao longo do século XIX, arrasaram grande parte do seu perímetro defensivo. Poupados à irracionalidade cega foram alguns trechos da muralha escalabitana, as portas do Sol e de S. Tiago.
Quanto às vigilantes torres defensivas, a maioria foi desmembrada pelo camartelo camarário, escapando a altiva e robusta Torre do Relógio do Senado da Câmara - denominada de Cabaceiro ou ainda das Cabaças. Esta última e mais comum denominação de "Torre das Cabaças" tem a sua origem nas oito cabaças que ocupavam parte da armação superior de ferro da torre. Próxima da Igreja gótica de S. João de Alporão, a Torre das Cabaças é uma estrutura quadrangular de pedra, robusta obra do gótico quatrocentista reaproveitando parte da estrutura de uma outra anterior.
Com cerca de 22 metros de altura, deixa ver a sua irregular configuração de alvenaria, em contraste com o bem talhado aparelho de silharia que se dispõe nos seus ângulos. O acesso é feito por uma porta de arco de volta perfeita, elevando-se o seu corpo até a um pórtico superior coberto e que é rasgado, em cada uma das face, por dupla arcaria de volta perfeita. Algumas gárgulas destacam-se na zona superior, coroando o medievo conjunto um sino articulado por uma estrutura trapezoidal de ferro, onde se inserem as oito vasilhas de barro ou cabaças. Num dos parapeitos integra-se o primitivo relógio solar de pedra lavrada.
Impondo a sua maciça volumetria na malha urbana de Santarém, "...a Torre das Cabaças fez-se para ser olhada do vasto campo de Golegã, ou do campo de Almeirim, vindo do Vale, vindo de Coruche, de Benavente ou da Barquinha, através dos olivais, das terras de semeadura e das eiras do termo de Santarém..." (Ramalho Ortigão).
Como referenciar: Torre das Cabaças in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-17 23:03:33]. Disponível na Internet: