Toyo Ito

Arquiteto japonês, nascido em 1941, Toyo Ito é diplomado em Arquitetura pela Universidade de Tóquio em 1965. Membro honorário da AIA (American Institute of Architects); membro da JIA; professor convidado na Universidade de Columbia, Nova Iorque, em 1991; e professor honorário na Universidade de North London.
Iniciou a sua atividade profissional em 1971, sediado em Tóquio, com o atelier Urban Robot (URBOT); a partir de 1979, o atelier passa a designar-se Toyo Ito & Associates, Architects.
Desde 1986 que recebe diversos prémios, com destaque para, nesse mesmo ano, o prémio do Instituto de Arquitetura do Japão, pela obra Silver Hut, casa do arquiteto (1986); em 1997 é convidado para o concurso de ampliação do MoMA de Nova Iorque (Museum of Modern Art); recebe a medalha de ouro do Internacional Academy of Architecture (IAA) Interach' 97, Grande Prémio do Sindicato de Arquitetos da Bulgária; em 2000 é galardoado com o Prémio Arnold W. Brunner em Arquitetura, da American Academy of Arts and Letters, sendo também neste ano condecorado com o título de Académico pela Internacional Academy of Architecture (IAA). Desde 1971, a sua obra incidiu, numa 1.ª fase, que vai até 1985-1986, quase exclusivamente em arquitetura doméstica, excetuando os projetos da companhia PMT (edifícios de escritórios e fábrica), e o Hotel D, no período 1977-1979. Destaque para a casa em Nakano, designada White U, Tóquio (1976) e a já referida Silver Hut (1986). A partir de 1985, o leque dos programas (funções) alarga-se, não havendo quase praticamente habitação unifamiliar: projetos para exposições, restaurantes, edifícios de escritórios, equipamentos sociais, quartel de bombeiros, vários museus, complexos culturais e turísticos e projetos de reabilitação urbana, entre outros que não passaram do projeto. Desta fase destaque para: Torre dos Ventos, Yokohama (1986); casa de visitas da Companhia Cervejeira Sapporo, Hokkaido (1989); os museus municipais Yatsushiro, Kumamoto (1991) e Shimosuwa, Nagano (1993); residência de 3.ª Idade, Yatsushiro (1994); quartel de bombeiros, Yatsushiro (1995); teatro e sala de concertos L em Nagaoka, Niigata (1996); cúpula O em Odate, Akita (1997); conjunto turístico Ota-ku, Nagano (1998); centro de informação, Urayasu (1998); parque agrícola, Oita (2000); e Mediateca, Sendai (2000). (Todas as datas indicadas referem-se à conclusão das obras.)
"A partir da decadência do pós-moderno na década de 80 e dentro das correntes arquitetónicas atuais, podem observar-se tendências como, por exemplo, o retorno ao estilo moderno estoico, ao minimalismo, à inclinação pelo regionalismo, etc., no entanto, penso que a grande corrente da arquitetura se dirige para a transparência, já que a própria sociedade vai sendo cada vez mais transparente, juntamente com o desenvolvimento da informação e, logicamente, isso refletir-se-á na arquitetura."
O discurso do próprio Toyo Ito demonstra uma lucidez e distanciamento crítico em relação à produção contemporânea. Dentro da sua postura arquitetónica, esta objetividade reflete-se quer na mediação e interdependência entre teoria e prática, quer nos paralelos que estabelece tanto dentro da história da arquitetura moderna e pré-moderna, como na natureza virtual emergente. De entre as suas referências refira-se o arquiteto Mies van der Rhoe, particularmente no o Pavilhão da Alemanha na Exposição Universal de Barcelona (1929), e o arquiteto catalão Antoni Gaudí, pela sua visão organicista da arquitetura.
Dividido entre um organicismo poético que defende a essência primordial dos líquidos e a fluidez desta natureza, e a natureza virtual da microeletrónica e dos fluxos de informação e eletrões que ela despoleta, defende a teoria da transparência, da fluidez, da fusão entre essas duas naturezas, natural e virtual, tal como o corpo do Homem já o faz. Pretendendo teoricamente uma não-arquitetura, vê-se confrontado com as suas determinantes essenciais: matéria e gravidade. O seu principal objetivo é atingir através da metáfora a maior correlação possível entre teoria e prática, confirmando a natureza tectónica da arquitetura, mas recorrendo a materiais que remetam para imaterialidade. A sua arquitetura pode-se traduzir como espaço fluido, plasmático, em que os movimentos adquirem a sensualidade dos efetuados dentro de água, espaço esse contido por materiais com uma estética incorpórea e efémera, translúcidos e cambiantes.
Defende portanto uma nova natureza, híbrida; uma nova organicidade, tecnológica; uma nova noção de espaço, fluido e em mutação. Afirma a não delimitação entre interior e exterior, mas num âmbito que transcende o espaço arquitetónico em si mesmo, referindo-se à fusão entre arquitetura e envolvente.
Além da metáfora da água, utiliza igualmente a metáfora do jardim, do bosque da árvore, a metáfora dos tubos, a arquitetura como som, que através de processos de analogia, transferência ou inferência (transpor modelos de uma área do conhecimento para uma outra no intuito de estruturar esta última) permitam construir modelos o mais perfeitos possível, o mais aproximado dos arquétipos teóricos elaborados.

Como referenciar: Toyo Ito in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-19 16:49:24]. Disponível na Internet: