transição demográfica

As alusões à transição demográfica referem-se essencialmente às tentativas de explicação para as transformações operadas nas populações dos países industrializados, entre meados do século XIX e meados do século XX. Efetivamente, num processo que, grosso modo, se estende por cerca de um século, esses países passaram de uma situação demográfica caracterizada pela existência de um quase paralelismo entre altas taxas de mortalidade e altas taxas de natalidade, em que a mortalidade funcionava como uma espécie de mecanismo regulador dos avanços e recuos das populações, para uma outra situação oposta, isto é, caracterizada pela existência de um quase paralelismo entre baixas taxas de mortalidade e baixas taxas de natalidade. Adolphe Landry foi o primeiro a expor, nos anos 30 do século XX, uma teoria sobre estas mudanças demográficas, sob a designação de Transição Demográfica, e que, nas décadas seguintes, teve largo desenvolvimento. Mas a Transição Demográfica oferece uma explicação redutora sobre a evolução destas populações, nomeadamente porque apenas tem em conta a natalidade e a mortalidade a partir dos cálculos das taxas brutas (que são, sempre, medidas grosseiras de avaliação, uma vez que entram em linha de conta com toda a população), deixando de fora aspetos importantes ligados, por um lado, às migrações e, por outro, às questões de natureza económica e social, como a participação das mulheres no mundo do trabalho ou a nupcialidade. Seja como for, as transformações descritas, que, numa primeira fase, se saldaram pelo crescimento em contínuo das populações envolvidas, para, posteriormente, estacionarem e mesmo regredirem nesse crescimento, não se efetivaram nos espaços menos desenvolvidos ou no que se chama mundo subdesenvolvido ou, ainda, Terceiro Mundo. Aí continua a nascer muita gente e continua também a morrer muita gente, mas a um ritmo menor que a reprodução. De facto, após a Segunda Guerra Mundial, pela ajuda internacional, a mortalidade, nestes espaços, tem vindo a diminuir, sem as devidas compensações de uma diminuição da fecundidade, o que tem conduzido a um crescimento sem paralelo dessas populações e, por consequência, da população de todo o planeta. Esta circunstância tem feito reacender o debate sobre a velha questão malthusiana do necessário equilíbrio entre a população e os recursos, debate fomentado sobretudo pelas Nações Unidas nas conferências internacionais sobre a população que, de dez em dez anos, se vêm realizando desde 1954.
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