Tratado de Metrificação Portuguesa...

De seu título completo Tratado de metrificação portuguesa para em pouco tempo e até sem mestre se aprenderem a fazer versos de todas as medidas e composições, seguido de considerações sobre a declamação e poética, é apresentado pelo autor como uma tentativa de abordar uma matéria "apenas encetada, e por homens que só viam a arte da parte de fora: muito empirismo, alguma coisa de forma, nada de sentimento poético, nada absolutamente de filosofia". Das várias considerações tecidas por Castilho acerca da versificação portuguesa, destacam-se a defesa do uso do verso alexandrino francês, de doze sílabas, e a adoção do sistema de contagem até à última sílaba tónica. Na parte final do Tratado, Castilho inclui um capítulo "Da Poesia", onde transmite um conceito de poesia mais profundo do que o que se depreende da sua prática poética: "Os versos de que até aqui temos tratado não são mais que a forma sensível, e como quer que seja material, com que a poesia se nos revela. Como todas as artes plásticas, a versificação pode ser facilmente submetida à análise e sujeita a regras; não assim o entusiasmo". Castilho caracteriza ainda a poesia atual na sua relação com o cristianismo, no seu carácter histórico e na sua vinculação à sociedade.
Como referenciar: Porto Editora – Tratado de Metrificação Portuguesa... na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-19 20:08:34]. Disponível em