Tumulto Racial

Os tumultos raciais começaram a ser entendidos e estudados a partir dos primeiros grandes distúrbios verificados em Los Angeles, em 11 de agosto de 1965, no distrito de Watts, que concentra grande parte da população negra da cidade. Tudo começou quando um polícia branco tentou prender um jovem negro, o que fez com que várias pessoas se envolvessem na defesa do jovem e dando azo a reforço policial. Cinco pessoas foram detidas, o que levou a multidão a atirar pedras aos polícias, que se retiraram impotentes, enquanto a população, de maioria negra, começava a assaltar indivíduos de raça branca e a incendiar prédios. A onda de violência continuou durante seis dias com lojas saqueadas e casas e carros incendiados. A palavra de ordem da multidão era "Burn, baby, burn", um tipo de destruição que não se ficou por Los Angeles e que se alastrou, durante os dois anos seguintes, a outras cidades de outros estados dos EUA. Segundo os observadores, cerca de 30 mil pessoas de maioria afro-americana, de todas as idades, envolveram-se nos tumultos, sendo presos cerca de quatro mil pessoas. Os críticos adiantaram as razões para este movimento de revolta: o domínio económico e social branco sobre o gueto, marcado por uma enorme pobreza, discriminação racial e por uma enorme segregação do resto da sociedade. Pequenas erupções de violência surgiram nos dois anos subsequentes por todo o país. Em Detroit, em julho de 1967, a polícia, depois de uma rusga a clubes de jogo ilegal frequentados por negros, fez várias prisões. Na manhã seguinte, os tumultos varreram as ruas com assaltos, carros e casas incendiados numa onda de violência que causou prejuízos materiais da ordem dos 22 milhões de dólares e mais de sete mil prisões. O governo decidiu criar uma comissão para avaliar a situação e chegou à conclusão que a razão dos tumultos se devia a racismo, pobreza e subnutrição da comunidade afro-americana. Os tumultos do distrito de Liberty City, em Miami, em 1980, afastaram-se do normal padrão de descontentamento da comunidade negra que, em geral, virava a sua ira principalmente contra os bens materiais dos brancos. A absolvição pelos tribunais de quatro polícias acusados de desancarem um negro até à morte fez com que a comunidade negra de Miami se vingasse violentamente nos brancos, atacados nas ruas e retirados dos seus carros, o que resultou em inúmeros feridos e dezoito mortos, para além de centenas de milhões de dólares de prejuízos materiais. Os distúrbios de 1992, em Los Angeles, tiveram um motivo semelhante: um ano antes, em 1991, o jovem negro Rodney King foi detido pela polícia e violentamente agredido, numa cena gravada por um vídeo amador. Quando os quatro polícias acusados da agressão foram absolvidos pelo tribunal levantaram se tumultos que ocasionaram mais de 40 mortos, dois mil feridos e mais de mil prisões.
Na Grã-Bretanha, em Brixton, em 1981, surgiu uma série de tumultos raciais que se estenderam a outras cidades. Na verdade, os tumultos não foram só de descontentamento entre as minorias étnicas, já que cerca de dois terços dos cerca de três mil presos eram jovens brancos. Nestes tumultos de Brixton, tanto negros como brancos direcionaram a sua violência contra a polícia, acusada de discriminação e agressão racial. Em Southall, Londres, ocorreram distúrbios entre jovens brancos e jovens asiáticos, quando um grupo de skinheads agrediu e violentou um comerciante asiático, a que se seguiu o saque de uma rua com lojas de asiáticos que originaria uma série de tumultos da parte dos jovens asiáticos. Em 1985, surgiram tumultos do mesmo tipo contra a polícia por parte de negros e brancos em cidades como Liverpool, Birmingham e Brixton. Estas situações foram na sua maior parte despoletadas por situações comuns, como uma infração de trânsito ou uma invasão domiciliária, agravadas por uma excessiva violência policial, que levou inclusive à morte duas mães negras. As razões mais profundas dos tumultos residiam numa elevada percentagem de desemprego, pobreza, segregação racial e elevado consumo de drogas.

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