Ultrarromantismo

Os exageros do Romantismo, ideologicamente, levaram a um movimento que ficou conhecido com a designação de Ultrarromantismo, que se prolonga até à Questão Coimbrã. Teófilo Braga empregou esta expressão para designar uma poesia inspirada na Idade Média romântica, mas restringe o seu sentido. Castilho avança mais significativamente nesta escola, mas nem Garrett nem Herculano fogem ao sortilégio do exagero, embora considerados românticos. O Ultrarromantismo assinala um forte desequilíbrio no domínio do pensamento. Manifesta um predomínio da emoção, da exaltação do espírito, da melancolia que leva ao tédio da vida e, consequentemente, ao desejo da morte, ao fatalismo. A natureza é triste e vai até ao tétrico, ao macabro, com fantasmas, sepulturas, ajustando-se ao estado de alma do poeta. Afirma-se o gosto pelo melodrama tão longe do equilíbrio do drama romântico.
Assiste-se a um excesso de sentimentalismo e as poesias são enfadonhas, de horizontes limitados. Aqui e ali há uma certa religiosidade ligada, muitas vezes, à magia, à crença num regresso das almas a este mundo. O medievalismo leva ao predomínio de uma poesia de carácter popular mais espontânea e de gosto arcaizante: as xácaras, os solaus, as trovas, as cantilenas. O vocabulário é rebuscado, com termos eruditos (cerúleo, purpúreo, hircano, gemebundo, carme...), mas pobre, com um acentuado preciosismo de linguagem encostada aos clássicos e, por isso, sublime, embora o Parnasianismo desponte em poemas de inspiração exótica (Agar de Soares de Passos, O Festim de Baltasar de João de Lemos). A sintaxe é pobre, afetiva, de tipo feminino, com anacolutos, exclamações, reticências. Abundam as metáforas. A versificação é monótona. Poeta significativamente ultrarromântico é Soares de Passos, com influência de vários autores nacionais e estrangeiros, estes evidentes na majestade do poema O Firmamento, rico de inspiração científica e metafísica.
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